IOAÕ PEREYRA DA SYLVA natural de Lisboa, e filho do Capitaõ mòr Ruy da Sylva Pereira, e de D. Catherina Duque. Foy Cavalleiro da Ordem de Christo, Familiar do Santo Officio, e Escrivaõ do Tribunal da Legacia Apostolica. Cultivou desde os primeiros annos as Musas Portuguezas com tanta elevaçaõ de espirito, que mereceraõ os seus versos o aplauzo dos mayores professores da Poetica sendo hum dos mais estimaveis Collegas da Academia dos Singulares instituida na sua patria em o anno de 1663. Cazou com D. Ursula da Sylva Lobo de quem teve para immortal credito da sua pessoa ao Doutor Bernardo Pereira da Sylva Cavalleiro da Ordem de Christo, Collegial do Collegio Real de S. Paulo Lente da Cadeira do Codigo, e Digesto Velho em a Universidade de Coimbra, Dezembargador da Caza da Supplicaçaõ de quem se fez mais distinta memoria em seu.lugar. Falleceo em Lisboa a 10 de Outubro de 1708. Jaz sepultado na Parochia de N. Senhora das Merces. Compoz.

Epinicio Lusitano à memoravel vitoria de Montes Claros, que alcançou o exercito delRey N. Senhor D. Affonso VI. o Victorioso sendo Capitaõ General o Marquez de Marialva. Lisboa por Henrique Valente de Oliveira. 1665 4. Consta de 100. Outavas.

Cançaõ Panegyrica ao Nacimento do muito alto, e muito poderoso Principe Nosso Senhor em 30 de Agosto de 1688. Offerecida na menhaã do mesmo dia. Lisboa por Miguel Deslandes 1688 4.

Lydia saudosa consolando-se com o seu Tejo aurifero Rey dos Rios na dor sobre o encarecimento grande do intempestivo Ocazo da sua mais Soberana Thetis a Serenissma Senhora D. Izabel Luiza Jozefa primogenita delRey D. Pedro II. Nosso Senhor. Lisboa por Miguel Deslandes Impressor delRey. 1690 4. Consta de huma Glossa ao Soneto Fermoso Tejo meu &c. dous Epigramas Portuguezes; humas Endechas Castelhanas, e huma Decima por Epitafio.

Dous Sonetos a pag. 93. dos Acroamas Panegyricos com que Coimbra recebeo a reliquia de Santo Thomaz de Villanova vinda de Valença. Coimbra por Iozé Ferreira 1690 4. Começa o primeiro.

De aliento noble, ò lustre competencia. E o segundo.

Immenso eres Thomas; a tanto Athlante.

Cançaõ Panegyrica em aplauzo de D. Manoel Pereira Coutinho, e seus filhos D. Francisco Jozé Coutinho, e D. Pedro Iozé Coutinho obràraõ no choque de Monsanto a 11 de Junho de 1704. Sahio nos Prelad. Encom. a esta acçaõ. Londres por Leach. 1704 4.

No primeiro tomo da Academia dos Singulares Lisboa por Henrique Valente de Oliveira 1665. 4. estaõ sinco Sonetos, e hum Romance a diversos Assumptos. No 2. Tom. da Academia. Lisboa por Antonio Craesbeck de Mello 1668. 4. Oraçaõ recitada a 9. de Novembro de 1664. dous Romances, e hum Soneto.

Poezias Varias. 4. M. S.

Apothegmas de Portuguezes assim antigos, como modernos. 4. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]