IOZÉ BOREAS DE ARAUJO Naceo em Lisboa a 2 de Mayo de 1667. Onde teve por Pays a Pedro de Araujo e D. Magdalena Boreas ambos de conhecida nobreza. Desde a idade de dezanove annos em que herdou do seu Pay a propriedade do Officio de Escrivaõ da Caza de Ceuta se ocupou até os ultimos em diversos lugares politicos de cuja administraçaõ fundada em summo desinteresse, e grande intelligencia se seguio manifesto augmento para a Fazenda Real. Naquellas horas vagas, que lhe permitiaõ as suas obrigaçoens discorria sobre os arcanos da Filosofia natural descubrindo a penetraçaõ do seu juizo sem direçaõ de Mestre hum novo Systema do Fogo Elemental, e Natural contra os dictames do Principe da Escola Peripatetica, cuja obra ornada de erudiçaõ sagrada, e profana collocou o seu nome entre os Corifeos da Filosofia moderna. Teve profunda intelligencia da Pintura, a qual practicou taõ felizmente com o pincel, e com a penna, que os seus desenhos podiaõ competir com os mayores professores de taõ admiravel Arte. Com animo heroico regeitou o Officio de Vedor da Fazenda do Estado da India, e de outros lugares ultramarinos igualmente honorificos, que rendozos querendo antes a gloria de os merecer, que a conveniencia de os aceitar. Cultivou com escrupuloza exaçao as virtudes moraes observando com mayor excesso a da Charidade por dispender com parentes, e outras pessoas, necessitadas a copiosa quantia de cem mil cruzados, quando para si reservava menos do que lhe era preciso. Sempre se conservou no Estado do Celibato, e pela observaçaõ dos domesticos, e de pessoas, que familiarmente o tratáraõ falleceo virgem a 28 de Dezembro de 1743. quando contava 75 annos 7 mezes, e 26 dias de idade. Iaz sepultado no Convento de Santo Eloy de Lisboa. Escreveo.

Discursos da ignorancia, em que se devida do fogo Elemental, e se difine o material, e em consequencia se dificulta a mayor parte da Filosofia Peripatetica. Tom. 1. Lisboa por Miguel Rodriguez Impressor do Emminentissimo Senhor Cardial Patriarcha. 1740.

Tom. 2. ibi pelo dito Impressor. 1740. 4.

Livro de Contas, onde por modo brevissimo, e nunca practicado ensina as mayores dificuldades da Arithmetica. 4. M. S.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]