IOZÉ DA CUNHA BROCHADO Cavalleiro da Ordem militar de Christo, Fidalgo da Caza de sua Magestade do seu Conselho, Conselheiro da sua real Fazenda, Chanceller das Ordens Militares, Deputado da Iunta da Fazenda, e Estado da Rainha Nossa Senhora Censor, e Director da Academia Real da Historia Portugueza naceo em a maritima Villa de Cascaes a 2 de Abril de 1651. para credito da educaçaõ que lhe deraõ seus Pays Antonio da Cunha da Fonceca Tenente Governador do Castelo de S. Iorge desta Cidade, e D. Ioanna do Quental igualmente nobres, e virtuosos. Instruido nos primeiros rudimentos aprendeo as letras humanas em o Collegio de Santo Antaõ, e neste prologo dos seus estudos deu claros indicios da comprehensaõ para mayores Faculdades. Aplicado á penetraçaõ das dificuldades do Direito Cesareo em a Universidade de Coimbra sahio taõ eminente que aprovada pelos Cathedraticos a sua sciencia legal a practicou em os Magistrados da Republica com taõ rectca administraçaõ que foy venerado como o mais religioso cultor do Sanctuario da Iustiça Sendo nomeado em o anno de 1695. Embaxador Extraordinario á Corte de Pariz o Marquez de Cascaes D. Luiz Alvares de Castro o acompanhou com o lugar de Secretario da Embaxada, e em taõ famosa Cidade conciliou pela suavidade do genio, e luzimento da pessoa as atençoens de grandes, e pequenos. Sahindo de Pariz no anno de 1699. o Marquez Embaxador, residio nesta Corte com o Caracter de Enviado Extraordinario até o anno de 1704. e nestes sinco annos se valeo da sua politica dexteridade para naõ ser ofendido o decoro do seu Principe a tempo que os interesses daquella Coroa se naõ conformavaõ com os da nossa. Restituido a Lisboa onde no lugar de Conselheiro da Fazenda Real servio com zelo, e independencia foy mandado no anno de 1710. Á Corte de Londres com ordem que naõ podendo por algum incidente assistir no congresso de Utrech D. Luiz da Cunha, passase logo sem novo avizo a Olanda como segundo Plenipotenciario desta Coroa. Por naõ ter efeito esta substituiçaõ rezidio em Londres com o caracter de Enviado Extraordinario atè o anno de 1715. onde concorreo com as suas maximas para a conclusaõ da Paz em que tanto se interessou a nossa Monarchia. Terceira vez o obrigou o serviço do seu Principe sahir da patria sendo nomeado em o anno de 1725 . primeiro Plenipotenciario para a conclusaõ dos Tratados Matrimoniaes entre os Serenissimos Principes do Brazil, e Asturias em cuja negociaçaõ mostrou que o vigor do juizo se naõ diminuira com a extensaõ da idade. Entre os primeiros sincoenta Academicos de que se formou a Academia Real da Historia Portugueza foy eleyto Academico, e depois Censor merecendo repetidos aplauzos dos seus Collegas quando recitava alguma das suas compoziçoens em que a novidade da idea competia com a elegancia, e discreçaõ das palavras, e dos pensamentos. Practicou com felicidade a Poesia vulgar, e naõ menos a Oratoria sendo os seus versos eloquentes, os seus Discursos elegantes. Alcançou o principado no estilo epistolar excedendo em o numero, e ainda na discriçaõ as cartas de Plinio, e Seneca taõ aplaudidas pela veneravel antiguidade. Da Historia Ecclesiastica teve bastante instruçaõ; o principio, e augmento das Artes, e sciencias lhe naõ foraõ ocultos; distinguio com judiciosa politica os interesses dos Principes, e os mysterios dos Gabinetes; fallou com expediçaõ, e escreveo com pureza as linguas mais polidas da Europa. Foy ornado de gentil presença, genio suave, eloquencia natural, e sem exceder os limites da modestia se distinguio no ornato da sua Pessoa. Persuadido pelo numero dos annos, que naõ estava muito distante a ultima hora se preparou para a Eternidade com actos fervorosos de resignaçaõ Christãa até que lentamente consumido da infermidade espirou a 27 de Setembro de 1733. quando contava 82 annos 5 mezes, e 25 dias de idade. Jaz sepultado em a Igreja do Convento de Santo Eloy de Lisboa em sepultura propria. As suas acçoens politicas, e catholicas reduzio a hum elegante Panegyrico recitado na Academia Real Gonçalo Manoel Galvaõ de Lacerda Conselheiro do Ultramar, e Collega da mesma Academia onde primorosamente dibuxou a imagem deste insigne Varaõ. Cathalogo das suas obras Academicas.

Parecer sobre a proposta, que o Academico o Padre Doutor Fr. Bernardo de Castellobranco Chronista mór do Reyno, que tem o emprego de escrerer as Memorias delRey D. Pedro o I. fez sobre se este Principe merecia o epitheto de cruel, ou justiçoso. Sahio no Tom. 2. da Collec. dos Docum. da Academia Real. Lisboa por Paschoal da Sylva Impressor de S. Magestade. 1722. fol.

Conta dos seus estudos Academicos dada no Paço a 22 de Outubro de 1722. Sahio no Tom. 2. da Colleçaõ dos Documentos.

Elogio de D. Fernando de Noronha Conde de Monsanto do Conselho de S. Magestade, e Academico real da Historia Portugueza recitado na Academia a 23 de Dezembro de 1722. Sahio no Tom. 3. da Collec. dos Docum. da Academia Real. Lisboa pelo dito Impressor. 1723.

Conta dos seus estudos Academicos dada na Academia a 13 de Mayo de 1723 . Sahio no Tom. 3. da Collec.

Conta dos seus estudos Academicos dada na Academia a 5 de Agosto de 1723. Sahio no Tom. 3. da Collec.

Conta dos seus estudos Academicos em 22 de Outubro de 1723. No Tom. 3. da Collec.

Conta dos seus estudos no Paço a 22 de Outubro de 1727. No Tom. 7. da Collec. Lisboa por Jozé Antonio da Sylva. 1727. fol.

Elogio de D. Fernando Mascarenhas Marquez de Fronteira dos Conselhos de Estado, e Guerra, Mordomo mór da Raynha Nossa Senhora, Presidente do Dezembargo do Paço, e Censor da Academia Real da Historia Portugueza em 9 de Março de 1729. No Tom. 9. da Collec. Lisboa pelo dito Impressor. 1729.

Introduçaõ ao lugar de Censor da Academia Real. No Tom. 9. da Colleçaõ. Conta dos seus estudos Academicos a 6 de Dezembro de 1729. No Tom. 9. da Colleç.

Conta dos seus estudos no Paço a 7 de Setembro de 1730. No Tom. 10. Da Colleç. Lisboa pelo dito Impressor. 1730. fol.

Discurso sendo Director na Conferencia de 23 de Fevereiro de 1730. No Tom. 10. da Colleçaõ.

Conta dos seus estudos em 22 de Setembro de 1730. No Tom. 10. da Colleçaõ.

Oraçaõ sendo Director recitada no Paço a 16 de Novembro de 1730. No Tom. 10. da Colleçaõ.

Declaraçaõ sendo Director da Academia Real da Historia Portugueza na Conferencia de 8 de Fevereiro de 1731. de estar eleito Academico com aprovaçaõ de S. Magestade o Conde do Vimioso. No Tom. 11. da Colleçaõ. Lisboa pelo dito Impressor. 1731. fol.

Conta dos seus estudos em 17 de Fevereiro de 1731. No Tom. 11 . da Colleçaõ.

Discurso sobre o descubrimento do mar Indico por ElRey D. Manoel em 2 de Agosto de 1731. No Tom. 11. da Collec.

Oraçaõ sendo Director da Academia Real da Historia Portugueza na ultima Conferencia, que se fez em 10 de Dezembro de 1731. No Tom. 11. Da Collec.

Discurso na Conferencia de 31 de Janeiro de 1732. em que congratula aos Academicos de o elegerem novamente Censor da Academia. No Tom. 11. Da Colleçaõ.

Discurso acerca de quem he mais util a hum Reyno, se o Lavrador, se o Soldado? Recitado a 2 de Mayo de 1732. No Tom. 11. da Colleçaõ.

Oraçaõ recitada no Paço a 25 de Outubro de 1732. em que celebrou os annos delRey Nosso Senhor. No Tom. 11. da Colleçaõ.

Auto da vida de Adaõ Pay do Genero Humano Primeiro Monarcha do Universo. Lisboa por Jozé Antonio da Sylva 1727. 8. Sahio com o suposto nome de Felix Jozé da Soledade.

Obras M. S.

Cartas das Negociaçoens do Tempo que residio em a Corte de França sendo Enviado Extraordinario fol. 2. Tom.

Memorias Annedoctas da Corte de França, que contem varios cazos, e duvidas, que houve naquella Corte.

Cartas, e Negociaçoens no tempo, que residio em Inglaterra sendo Enviado na mesma Corte. fol. 2. Tom. O primeiro he para a Secretaria de Estado O segundo para os nossos Plenipotenciarios em Utrech o Conde de Tarouca, D. Luiz da Cunha.

Cartas, e Negociaçoens do tempo que residio na Corte de Madrid com o Caracter de Plenipotenciario. fol.

Todos estes M. S. conserva com a merecida estimaçaõ em seu poder o Illustrissimo Bartholameo da Cunha Brochado Prelado da Santa Igreja Patriarchal de Lisboa Sobrinho do Author.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]