P. ANTONIO ALVARES, da Congregação do Oratorio de Lisboa, para a qual entrou a 8 de Dezembro de 1753. – Foi natural de Lisboa, e filho de João Alvares Galvão e de Isabel Ferreira de Ungria. Dotado de subtil e atilado engenho, a sua vida foi sempre retirada e laboriosa, aplicando-se aos estudos proprios da sua profissão, e particularmente aos da theologia, em que adquiriu os creditos de esclarecido e profundo, segundo o testemunho dos seus contemporaneos. M. a 22 de Junho de 1807. Não me consta que imprimisse outra obra alem da seguinte:

399) Orthographia da Lingua Latina. Lisboa, por Miguel Rodrigues 1759. 8.º de XX-XXXV-486 pag. – N’este tractado, que é hoje pouco conhecido, transluz a copiosa erudição do auctor, e poderia ser lido com algum proveito pelos que ainda se dão aos estudos das humanidades. Por occasião da sua publicação um anonymo escreveu, e mandou imprimir: Breves observações sobre a Orthographia da Lingua Latina. Paris, na Off. de A. Boudet 1761. 12.º.

N’este opusculo, comquanto se confutem algumas opiniões do P. Alvares, que o censor qualifica de erroneas, ou menos exactas, todavia o proprio censor não póde deixar de reconhecer em parte o merito da obra censurada, dizendo: «O proemio é uma peça muito excellente; todo elle está muito cheio de erudição solida e exquisita; reluz n’elle uma critica subtil e delicada; quem o ler com reflexão e madureza insensivelmente se ha de deixar penetrar de um bem activo e penetrante amor á antiguidade. Eu ingenuamente confesso que até agora não encontrei critico, que em tão pouco désse melhor a conhecer o caracter e preciosidade dos antigos monumentos… etc.» Pode ver-se esta controversia, bem como as cartas em que o P. Alvares defendeu e sustentou algumas de suas opiniões, quanto aos pontos censurados, na Gazeta Litteraria de Francisco Bernardo de Lima, nos quadernos de Maio e Junho de 1762.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]