Fr. FERNANDO DA SOLEDADE nasceo em a Cidade do Porto a 17. De Agosto de 1663. onde teve por Pays a Domingos Teixeira, e Dona Maria Pereira instituidores do Morgado de Teixieiro, que hoje administra Carlos Cabral de Tavora Teixeira, senhor da antiga caza da Lumieira, por ser cazado com Dona Susana de Mello, e Sylva, sobrinha do dito Padre Fr. Fernando. Nos primeiros annos mostrou tal modestia no semblante, e gravidade nas acçoens, que parece o destinou a natureza para exemplar do Estado Religioso, o qual abraçou no Serafico Convento de Santo Antonio da Figueira da Prov. de Portugal em o anno de 1682. Quando contava dezesete annos de idade. Depois de ter consumado a carreira dos estudos escholasticos, se applicou com mayor disvelo à liçaõ da Sagrada Escritura, que recitava de còr, e dos Sagrados interpretes, de cuja applicaçaõ conseguio ser hum dos mais celebres Oradores Evangelicos, que venerou a sua idade. Conhecendo os Prelados o talento que tinha para escrever Historia, e a vasta noticia, que tinha alcançado dos successos memoraveis da Provincia, de que era benemerito filho, foy eleito Chronista substituindo em taõ laboriosa incumbencia ao Padre Fr. Manoel da Esperança seu patricio, assim na investigaçaõ das memorias, como na elegancia do estilo, em que competio, e excedeo a muitos Escritores. Provada a sua prudente capacidade nos lugares de Guardiaõ do Convento de Guimaraens, e de Confessor das Religiosas do Real Convento de Santa Anna de Lisboa, duas vezes votou no Capitulo geral, a primeira em Roma no anno de 1723. e a segunda em Milaõ a 4. De Junho de 1729. e como os seus merecimentos se fizessem dignos de mayor premio, subio à dignidade de Provincial a 24. de Julho de 1734. com uniforme concurso dos votantes, em cujo ministerio usou da summa affabilidade, valendo-se mais da comiseraçaõ, que da severidade para emendar defeitos, e castigar culpas. Ao tempo que estava concluindo o Trienio do Provincialado, se sentio acommettido da ultima enfermidade, que julgando ser infallivel annuncio da morte se preparou com aquelles Catholicos actos, que practicara por toda a vida, a qual acabou no Convento de Lisboa a 29. de Dezembro de 1737. quando contava 74. annos, 4. mezes, e 15. dias de idade, deixando por evidentes sinaes da sua predestinaçaõ a extraordinaria flexibilidade do seu cadaver, e agradavel fermosura do rosto. Foy excessivamente lamentada a sua morte naõ sómente pelos seus subditos, mas tambem pelos Collegas da Academia Real da Historia Portugueza, da qual fora Academico Supranumerario. Fr. Joan. a D. Ant. Bib. Franc. Tom. 1. pag. 349. col. 1. o intitulaõ Litteris probe excultus. D. Emman. Caiet. de Sousa Expedit. Hispan. Apostol. S. Jacob. Maior. pag. 1008. n. 2385. elegantissimus Chronographus; vir à morum probitate, Religionis zelo, & pluribus editis voluminibus laudatissimus. Compoz

Historia Serafica Chronologica de S. Francisco na Provincia de Portugal. Tom. 3. Refere os seus progressos no tempo de 52. annos do de 1448. atè o de 1500. Conta as Missoens, que fizeraõ os Religiosos della a varias partes do Mundo, e em particular á India Oriental, onde arvoráraõ o Estandarte da Fé, bautizaraõ muitos milhoens de creaturas, aggregaraõ á Coroa de Portugal muitas Coroas com o zelo da virtude, affecto da Patria, despeza do sangue, e sacrificio das vidas com hum Discurso Apologetico em defensaõ do 5. 1iv. desta 3. Parte. Lisboa por Manoel, e Jozè Lopes Ferreira 1705. fol. Sahio novamente escrita emendada, e acrecentada em diversos lugares. Lisboa por Domingos Gonçalves. 1735. fol.

Historia Serafica Chronologica de S. Francisco na Provincia de Portugal Tom. 4. Refere os seus progressos em tempo de 68. annos do de 1501. atè o de 1568. Conta as ultimas controversias, que se moveraõ entre o Estado da Claustra, e familia da Observancia; a divisaõ entre ambas, os augmentos da segunda, e diminuiçoens da primeita atè a sua ultima extinçaõ neste Reyno. Relata os nacimentos de duas Provincias procedidas da de Portugal, a dos Algarves, e a de Santo Antonio. Descreve numerosas fundaçoens de Conventos, e Mosteiros, e as virtudes de huma grande copia de servos de Deos, e Espozas de Christo. Lisboa por Manoel, e Jozè Lopes Ferreira 1709. fol.

Historia Seraphica Chronologica da Ordem de S. Francisco da Provincia de Portugal Tom. 5. Refere os seus progressos em tempo de 146. annos do anno de 1569. atè o de 1715. aos quaes juntos memorias dos tres seguintes. Lisboa por Antonio Pedroso Galraõ. 1721. fol.

Sermoens varios Primeira Parte. Lisboa por Jozè Lopes Ferreira Impressor da Serenissima Rainha 1715. 4.

Sermaõ das Almas prègado no Mosteiro da Madre de Deos de Monchique. Lisboa por Bernardo da Costa de Carvalho 1694. 4.

Sentimentos da Ley da Natureza, Ley Escrita, e Ley da Graça, na figura, na profecia, e na experiencia articulados na morte, enterro, e sepultura de Christo Senhor Nosso. Lisboa por Manoel Lopes Ferreira. 1697. 4.

Sermaõ nas Exequias da Serenissima Rainha N. S. Dona Maria Sofia Izabel de Neoburg celebradas em 19. de Agosto de 1699. em o Real Convento de S. Francisco, pela Ordem Terceira. Lisboa por Miguel Deslandes Impressor d’El-Rey 1699. 4.

Sermaõ do Patriarcha S. Francisco prégado na solemnidade que lhe dedicou a sua Ven. Ordem Terceira de S. Francisco de Lisboa Occidental com hum Cathalogo das Pessoas Veneraveis, que em toda a Ordem Terceira floreceraõ com fama de Santidade. Lisboa na Officina da Musica. 1727. 4.

Novena para os 13. dias do preclarissimo, e sempre piedoso Santo Antonio de Lisboa composta em obsequio da sua caridade, agradecimento do seu patrocinio, e mayor fervor do seu culto. Lisboa por Jozè Lopes Ferreira 1711. 8.

Novena de Santa Clara escrita à instancia das Religiosas do Mosteiro da Madre de Deos de Monchique da Cidade do Porto. Lisboa por Mathias Pereira da Sylva, e Joaõ Antunes Pedroso. 1720. 12.

Memoria dos Infantes D. Affonso Sanches e D. Tereja Martins, Fundadores do Real Mosteiro de Santa Clara da Villa do Conde. Lisboa por Antonio Manescal Impressor do Santo Officio 1726. 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]