FERNANDO DA SYLVEIRA naceo na Cidade de Evora, onde teve por Pays a Francisco da Sylveira Coudel mór, e Claveiro da Ordem de Christo, Senhor de Sarzedas, Sovereira fermosa, e Anciaõ, Regedor da Caza da Supplicaçaõ, e a Dona Margarida de Noronha, filha de D. Joaõ de Noronha, e Dona Joanna de Castro, Senhora do Cõdado de Monsanto. Igualmente em Africa, como na Asia ostentou os alentados espiritos de seu coraçaõ assistindo em Zafim, quando era Capitaõ desta Praça seu primo D. Nuno Mascarenhas, e na conquista de Brava, e Zeila com o Governador da India Lopo Soares de Albergaria. Restituido ao Reyno no anno de 1527. mereceo as mayores estimaçoens d’ElRey D. Joaõ o III. e de sua mulher a Rainha Dona Catherina, communicando-lhe a resoluçaõ, em que estava de largar a regencia da Monarchia na menoridade de seu neto o Principe D. Sebastiaõ. Os ultimos annos da sua idade passou na patria, onde piamente falleceo no anno de 1569. Foy sepultado na Freguesia de S. Tiago, e depois transferido para o Convento de N. Senhora do Espinheiro de Religiosos de S. Jeronymo. Cazou duas Vezes, e do segundo matrimonio contrahido com Dona Grimaneza Mascarenhas filha de Pedro Dossem de Almeyda, e Dona Izabel Mascarenhas teve a Dona Marianna de Noronha, que succedeo na caza de Sarzedas. Foy muito applicado ao estudo da Poezia, sahindo taõ insigne em a pratica desta divina Arte, que era conhecido pela antonomazia de Poeta Heroico; e de tal modo eraõ estimados os seus versos, que o Principe D. Joaõ filho d’ElRey D. Joaõ o III. lhos mandou pedir por esta carta. Fernaõ da Sylveira. Eu o Principe vos envio muito saudar. Porque receberey grande contentamento com ver todas as obras, que tendes feitas, vos encomendo muito que me queiraes enviar o treslado dellas, e naõ deixeis algumas, de que mo naõ envieis; e quanto mais em breve o fizeres tanto mayor prazer receberey, e tanto mais volo agradecerey. Escrita em Almeirim 4. De Março de 1551. Principe. Como famoso alumno do Parnasso o louva com estas vozes metricas Jeronymo Cardoso. Eleg. lib. 1. Eleg. 2.

Ó decus, ò nostri fax fulgentissima regni

Enitet in cujus vertice gemma dives.

Una est nobilitas generosae est stirpis origo

Quae supra Fabiu stemmata clara micat.

Altera doctrina est, & mira peritia rerum

Quae smilem magis te facit esse Diis.

E na Eleg. 4.

Sed tamen illa tui facundia pectoris ingens

Quem non leniret, pelliceretque sibi?

Illic & Veneres, illic Charitesque puellae

Illic & Latium, Caecropiumque melos.

Illic quotquot habet vernacula lingua lepores:

Illic festivi cum gravitate sales.

Haec te credibile est, Phaebo dictante, locutum,

Aut te Calliopes haec perarasse manu.

No Cancioneiro de Garcia de Resende. Lisboa por Herman de Campos 1516. fol. estaõ as Poesias de Fernando da Sylveira a fol. 2. vers. 3. 4. vers. 6. atè 10. 18. vers. 19. vers. 21. 22. vers. 23. 24. 62. vers. 65. vers. 66. atè 68. 142. 143. 155. 156. 159. 193.

Poemas de Fernaõ da Sylveira senhor de Sarzedas dedicadas ao Principe D. Joaõ fol. M. S. Conservaõ-se na Livraria do Excellentissimo Duque de Alafoens, que foy do Eminentissimo Cardeal de Sousa.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]