D. FERNANDO DE ALMEYDA. Naceo em Lisboa pelos annos de 1459. sendo 5. filho de D. Lopo de Almeyda primeiro Conde de Abrantes, e de sua molher a Condessa D. Brites da Sylva, filha de Pedro Gonsalves Malafaya, Vedor da fazenda DelRey D. Affonso o V. Seguindo os vestigios de seu Irmaõ D. Jorge de Almeyda, Bispo de Coimbra, abraçou o estado Ecclesiastico, do qual se fazia digno pela integridade dos costumes, e profissaõ das sciencias. Ao tempo que era Prior do Convento de Saõ Jorge, junto de Coimbra, eleito pelos Conegos Regulares, em o anno de 1488. vagando a Cadeira Episcopal de Ceuta, por morte de D. Justo Baldino o nomeou nesta dignidade ElRey D. Joaõ o II. que conhecendo experimentalmente a grande capacidade de que era ornado o elegeo no anno de 1492. seu Embaxador á Curia Romana, juntamente com D. Diogo de Souza, que depois foy Bispo do Porto, e Arcebispo de Braga. Naõ se efeituando a Embaxada pela intempestiva morte de Innocencio VIII. como lhe succedesse no Solio do Vaticano Alexandre VI. nomeou o mesmo Monarcha por seu Embaxador ao Pontifice reynante, D. Pedro da Sylva Comendador mór de Aviz, e Irmaõ do Bispo de Ceuta D. Fernando, ordenando que este, e D. Diogo de Souza lograssem o mesmo caracter. Restituido a Portugal D. Pedro da Sylva, e D. Diogo de Souza, continuou na Curia D. Fernando atè o setimo anno do Pontificado de Alexandre VI. Que atrahido do seu profundo talento o fez Bispo Assistente do Solio Pontificio, e o nomeou Nuncio Apostolico a ElRey Christianissimo Carlos VIII. e posto que por morte deste Principe, acontecida em 6. de Abril de 1498. lhe succedesse no Trono Luiz XII. continuou a Nunciatura com grande credito da sua prudencia, sendo hum dos Juizes deputados pelo Pontifice, juntamente com o Cardial Filippe de Luxemburg, e Luiz de Amboesa Bispo de Alby, que na Cidade de Tours anullaraõ o matrimonio que este Monarcha contrahira com D. Joanna de Valois, filha de Luiz XI. e Irmãa de Carlos VIII. Reys de França, deixandolhe liberdade para cazar com Madama Anna Duqueza de Bretanha, e Viuva de Carlos VIII. Seu antecessor. Para celebrar este despozorio como fosse necessario dispensaçaõ Pontificia em o parentesco a occultou maliciosamente Cezar Borja, que despida a Purpura Cardinalicia estava feito Duque de Valentinois, querendo com este artificio adiantar as suas ambiciosas pertençoens, porèm sendo descuberto o seu fingimento pela sagacidade de D. Fernando de Almeida, o mandou matar com veneno de que frequentemente usava para satisfaçaõ da sua vingança, e augmento da sua ambiçaõ privando a hum taõ grande Prelado do Capelo de Cardeal, e da Mitra de Nevers que lhe estavaõ promettidos. Com este tragico fim acabou a vida D. Fernando de Almeida semelhante ao de seu irmaõ D. Francisco de Almeida I. ViceRey da India, e dos mais famosos Heroes que celebrou o mundo, morto hum, e outro como victimas da barbaridade em paizes estranhos. Fazem delle mençaõ Guichiard. Hist. de Ital. liv. 4. fol. 109. ao anno de 1498. Ciacon. Vit. Pontif. Roman. Tom. 3. col. 184. na Vid. do Cardial Filippe Luxemburg. Mazaray Hist. de Franç. no anno de 1498. D. Nicol. de Santa Maria Chron. dos Coneg. Reg. liv. 8. cap. 1 5. n. 10. D. Manoel Caetano de Souza Cathal. Hist. dos Pontif. e Card. Portug. p. 49. Entre as Sciencias severas cultivou as amenas sendo insigne Latino, e mayor Orador, como se vio na Oraçaõ obediencial que em nome de seu Soberano D. Joaõ o II. recitou na presença de Alexandre VI., que tem este titulo com a orthografia com que sahio impressa da qual vimos hum exemplar estampado em pergaminho em quarto sem anno, e lugar da impressaõ que conserva o Doutor Nicolao Francisco Xavier da Sylva Academico Real.

Ad Alexandrum VI. Pontif. Max. Ferd. de Almeida electi Ecclie. Septiñ: Jo. II. Regis Portugallie Oratoris Oratio. Começa Socratem Sapientissimum illum hominem &c. He dedicada a ElRey D. Joaõ o II. e tem o titulo seguinte a Dedicatoria Joanni Secundo Portugallie Regi invictissimo, ac pientissimo Ferd: de Almeyda electus Septin: dicatissima sue maiestatis creatura perpet. Foelicitatem. Principia. Magnum, & meae omnino professioni inusitatum munus &c.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. II]