LUIZ PEREYRA DE CASTRO nasceo em a augusta Cidade de Braga, e recebeo a primeira graça na Parochia de S. Joaõ de Souto em o anno de 1582. Sendo seus nobres Progenitores o Doutor Francisco de Caldas Pereira celeberrimo Jurisconsulto (do qual se fará larga memoria nos Additamentos desta Bibliotheca) e D. Anna da Rocha. Instruido na patria com as letras humanas frequentou a Universidade de Coimbra onde recebendo o grao de Licenciado na Faculdade dos Sagrados Canones foy admitido a Collegial do Real Collegio de S. Paulo a 3. De Agosto de 1609. A sua grande litteratura, e prudente madureza o habilitaraõ para exercitar os mayores lugares como foraõ Dezembargador da Casa da Suplicaçaõ provido a 21 de Janeiro de 1623. Dezembargador dos Aggravos a 26. de Novembro de 1624. Deputado do Santo Officio da Inquisiçaõ de Lisboa a 4. de Mayo de 1626. e do Tribunal da Cruzada a 20. de Abril de 1629. Conego Doutoral de Braga a 15. de Junho de 1636, e de Coimbra a 22. de Setembro de 1637. Chanceler da Casa da Suplicaçaõ a 22. de Dezembro de 1640. Deputado da Mesa da Conciencia, e Ordens

a 16. de Dezembro de 1642. e Dezembargador do Paço a 11. de Outubro de 1643. com a preeminencia de ter o primeiro lugar em o Tribunal ainda sendo o mais moderno por ser Conselheiro de Estado. Assistindo na Corte de Pariz com o caracter de Embaxador foy nomeado pelo Serenissimo Rey D. Joaõ IV. no anno de 1643. Embaxador Plenipotenciario ao congresso de Munster, e Osnamburg Cidades da Vesfallia juntamente com o Doutor Francisco de Andrade Leytaõ. Tanta foy a capacidade que mostrou nesta politica incumbencia que o mesmo Soberano o elegeo Embaxador duas vezes a França, huma à Santidade de Urbano VIII. e outra aos Estados Geraes de Olanda, cujas Embaxadas naõ tiveraõ effeito. Entre a severidade dos estudos Juridicos, e de maximas politicas sempre conservou

innocente comercio com as Musas sendo taõ afluente a sua veya para todo o genero de metrificaçaõ que podia competir com a de seu insigne irmaõ Gabriel Pereira de Castro. Falleceo em Lisboa a 20. de Dezembro de 1649. Celebraõ o seu Nome Fr. Franc. de Santo Agostinho Macedo Propug. Lusit. Gallic. Part. 1. art. 38. p. 216.  Familiae splendissimae, ingenio acerrimo, judicio gravissimo, scientia maxima, eloquentia praetanti, gratia sngulari, expeditione incredibili, qui perfecti Legati numeros omnes continet, & cum dignitate repaesentat. D. Nic. de Santa Maria Chron. dos Coneg. Reg. liv. 10. cap. 15. n. 13. Jacint. Cordeir. Elog. de Poetas Lusit. Estanc. 38.

Al Doctor Luiz Pereira admiro atento

En tan profundo estudio transformado,

Que en leys de tan docto fundamento

Nuevo Derecho hiziera su cuidado.

Letras, Cordura, ingenio, entendimiento,

Modestia, Urbanidad, cortés agrado:

Illustrando sus partes peregrinas,

Le rinden submisson Musas Latinas

  1. Jozé Barbosa Mem. do Colleg. Real de S. Paulo p. 116. e no Archiath. Lusitan. pag. 26.

Aspice quam magnus Ludovicus Castro Pereira?

Hic frater Gabrielis erit, similemque probabunt

Illa duo ad Legem memoranda volumina Mentis.

Obsequio natus Patriae migrabit ad oras

Relligione, fide, & morum pietate remotas;

Fulgentem excelso Legati munere cernent

Germani, firmat dum regna Joannis avita.

Nomine Legatum bis Gallia amica videbit,

Roma semel, sed tanta viro quae praemia tanto?

Compoz.

De Lege Mentali 2. Tom. fol. M. S. Esta grande obra em que seu Author tinha depozitado os preciosos thezouros da sua profunda litteratura querendo o Doutor Manoel Alvares Pegas imprimilla com os seus Commentarios ao Tit. 35. da Ordenac. do Reyno lhe negaraõ com injuriosa avareza os herdeiros de Luiz Pereira de Castro de que se seguio igual jactura da fama deste insigne Varaõ, como de toda a Republica Litteraria.

Regimeto do Tribunal da Bulla. Lisboa fol.

Soneto, e Decima em aplauzo da Ulyssea Poema Heroico de seu irmaõ Gabriel Pereira de Castro, cuja obra sendo posthuma a publicou duas vezes; a 1. No anno de 1636. em 4. e a dedicou a Filippe III. de Portugal; e a 2. em 8. sem anno da impressaõ ao Serenissimo Principe D. Theodozio, e alêm da Dedicatoria que lhe fez, as tres ultimas outavas do canto X ultimo do Poema saõ diferentes da primeira ediçaõ, e compostas por elle com alusaõ ao Principe D. Theodozio quando as outras eraõ feitas a Felippe que entaõ governava Portugal.

Cançaõ á morte de D. Maria de Attayde. Sahio a fol. 38. das Mem. Funeb. desta Senhora. Lisboa na Officina Crasbeeckiana 1650. 4.

Memorial a ElRey D. Joaõ o IV. fol. M. S.

Itinerario das suas Viagens. 4. M. S.

Saudades de Lizardo. M. S. 4. Conserva-se na Livraria do Illustrissimo, e Excellentissimo Duque de Lafoens, que foy do Emminentissimo Cardial de Sousa.  Começa

En la parte del mundo a donde inclina

Su carro el Sol, ó sea tumba, ó cuna

Donde muere, e renace altivo sube

A competir con una, y otra nube

El mais soberbio monte, a quien la Luna

Dió renombre feliz, y la divina

Flora en tapizes de oro,y esmeralda &c.

Consta de duas partes, e acaba a segunda

La Garça por su mal tan altanera

Naue, que buela hasta acabar ligera.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]