D. LUIZ DA SILVEIRA primeiro Conde de Sortelha Alcaide mór de Alenquer, e Senhor de Goes, Guarda mór delRey D. Joaõ III. teve por Progenitores a Nuno Martins da Silveira Mordomo mór da Rainha D. Catherina, Vedor das obras do Reyno, e a D. Filippa de Vilhena filha de Fernaõ Telles de Menezes quarto Senhor de Unhaõ, Gestazo, Meynedo, Mordomo mór da Rainha D. Leonor terceira mulher delRey D. Manoel, e de D. Maria de Vilhena Camareira mór da Rainha D. Leonor mulher delRey D. Joaõ o II. filha de Martim Affonso de Mello Alcaide mór de Olivença, e de D. Margarida Coutinho de Vilhena Senhora de Aves. Semelhante ao esplendor do nacimento foy a prespicacia de juizo de que o ornou a natureza sendo (como delle escreve Francisco de Andrade Chron. de D. Joaõ III. Part. 1. cap. 6.) muito habil, e de grande engenho para a Poesia Portuguesa daquelle tempo a qual ajudada de algum conhecimento que tinha das letras Latinas ficava sendo muito mais pura e isto fazia a sua conversação, e familiaridade muito agradavel a todos. Por estes singulares dotes mereceo o declarado afecto do Principe D. Joaõ com o qual se fez taõ sospeitozo a ElRey D. Manoel que o mandou separar da sua companhia, porém tanto que chegou a empunhar o cetro aquelle Principe o restituhio áquella distinçaõ de que era acredor o seu merecimento nomeando-o Vedor da sua Real Fazenda. Resoluto o mesmo Monarcha a despozar sua ilmaã a Serenissima Infanta D. Izabel com Carlos V. o mandou no anno do 1522 . com o caracter de Embaxador Extraordinario tratar esta negociaçaõ, e passando a Castella como logo se naõ concluisse voltou para o Reyno onde experimentou menos inclinado ElRey á sua Pessoa cuja adversidade dissimulou prudente, e tolerou constante. Foy casado com D. Britis Coutinho filha de Fernaõ Coutinho Marichal do Reyno que morreo em Calicut quando o grande Albuquerque intentou a conquista desta Cidade, de quem teve a D. Diogo da Silveira segundo Conde de Sortelha, Guarda mór dos Reys D. Joaõ o III. e D. Sebastiaõ: D. Simaõ da Silveira, e ao Padre Gonçalo da Silveira da Companhia de Jesus que em Monomotapa confirmou com o proprio sangue derramado pela barbaridade dos Cafres a verdade da Religiaõ Christaã: D. Alvaro da Silveira que militou na India: D. Filippa de Vilhena que casou com Luiz Alvares de Tavora Senhor de Mogadouro; e D. Izabel, e D. Leonor ambas Religiosas. Fazem memoria de seu Nome Salaz. e Castro Hist. Gen. da Cas. de Silv. liv. 9. cap. 1. Telles Chron. da Comp. da Prov. de Portug. Part. 1. liv. cap. 22. n. 6. Nicol. De S. Mar. Chron. dos Coneg. Reg. liv. 10. cap. 44. n. 4. muy douto, muy discreto, e avizado poeta, e galante, e de muy generosos espiritos. Barboza Mem. Hist. delRey D. Sebast. Part. 1. liv. 2. cap. 7. §. 65 . Antonio Ferreira Poem. Lust. liv. 2. Das Cartas cart. 10. a seu filho Simaõ da Silveira. Clarissmo Luiz, rayo luminoso Marte nas armas, Apollo entre as Musas Compoz.

Poesias Varias. No Cancioneiro de Gracia de Rezende. Lisboa por Herman de Campos 1516. fol. estaõ a fol. 127. até 130. 147. vers. 151. vers. 152. vers. 177. 181. vers.

Verteo em Portuguez o Ecclesiastes de Salamaõ. Começa.

Vaidade das Vaidades

e tudo he vaidade:

assi passaõ as vontades

como as cousas da vontade.

Sahio impresso no Cancioneiro Geral fol. 128.

Carta escrita a ElRey D. Manoel. He muito extensa, e judiciosa. M. S.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]