P. MANOEL DE AZEVEDO naceo em a festiva noute de Natal do anno de 1713. ao tempo, que na Missa solemne da sua Parochia se levantava a Sagrada Hostia, e no primeiro de Janeiro do anno seguinte recebeo por Virtude da agua bautismal a primeira graça. Teve por patria a cidade de Coimbra augmentando os Venerados tymbres da sua grandeza com a produçao de tal alumno. Foraõ seus progenitores o Dezembargador José de Azevedo Vieira Cavalleiro da Ordem Militar de Christo, Fidalgo da Casa de Sua Magestade, e Senhor da Quinta de Azevedo em a Villa de Paredes na Comarca de Pinhel, e D. Luiza da Costa Rebello de igual nobreza á de seu consorte. Na idade pueril foy educado por seu Tio paterno Sebastiaõ Vieira da Silva Prior da Igreja de Santa Justa de Coimbra por morte do qual passou para Barcellos quando contava nove annos onde assistiaõ seus pays, até que movido superiormente deixou a sua amavel companhia para abraçar a Sagrada de Jesus cujo suave nome fora o feliz horoscopo do seu nacimento, e bautismo vestindo a roupeta em o Collegio de Coimbra a 19. de Novembro de 1728. Nesta palestra de virtudes, e sciencias observou com taõ escrupulosa exaçaõ os preceitos do seu Instituto, que sendo ainda Noviço era respeitado como veterano na practica da disciplina regular compondo hum Directorio para o exame particular, e geral das conciencias de seus companheiros, o qual sahio taõ comforme ao espirito fervoroso de Santo Ignacio, que logo foy impresso em os Noviciados de Evora, e Lisboa. Nomeado para ensinar Gramatica, e letras humanas no Collegio de Santo Antaõ de Lisboa dezempenhou esta incumbencia como seu engenho prometia, merecendo grandes aplausos de hum Dramma Latino composto pela sua Musa do qual foy ouvinte, e expectador o nosso Serenissimo Monarcha. Do Collegio de Lisboa passou para o de Evora dictar Rhetorica onde para eterna recomendaçaõ do seu engenhoso talento presidio a humas Concluzoens impressas em 48. paginas de folha em que redusio a argumentos toda a Poesia assim Latina, como Grega, Italiana, Espanhola, e Portugueza, em cujos idiomas era profundamente versado. Ocupou este acto litterario o largo espaço de seis horas entre menhaã, e tarde conciliando aclamaçoens do erudito concurso, que nelle assistio admirado de taõ engenhosa novidade. Naõ foraõ menores os progressos que fez o seu talento nas sciencias severas como fizera nas amenas penetrando agudamente os arcanos da Filosofia Peripatetica, e os mysterios da Theologia Especulativa. Sendo chamado pelo seu Geral a Roma manifestou em humas Concluzoens Magnas o thezouro scientifico de que era fiel depositaria a sua memoria. Nesta grande Corte conciliou a estimaçaõ dos mais famosos sabios de que he fecundo theatro aquella santificada Cidade, distinguindo-se entre todos a Santidade reinante de Benedicto XIV., que por diversos Breves exalta o seu Nome assim pela vasta erudiçaõ da Historia Ecclesiastica, e sagrada Liturgia como pela laboriosa empreza de publicar em doze Volumes as obras do mesmo Pontifice exactamente correctas nesta terceira ediçaõ das quaes ja publicou o primeiro Tomo com huma larga, e erudita Prefaçaõ. Em remuneraçaõ deste litterario disvelo o nomeou o Supremo Pastor Academico da Academia da Historia Ecclesiastica, e Liturgia instituida no seu Palacio, e dilatando com mayor excesso os espaços da sua beneficencia pastoral o elegeo Consultor da Congregaçaõ dos Ritos com a estimavel circunstancia de que este honorifico lugar fosse heriditario na Companhia de Jesus de que he benemerito filho. Entre as obras, que medita publicar a sua incansavel aplicaçaõ merece a primazia o Thezouro Liturgico dividido em 12. volumes no qual instruido com preciosos M. S. da Bibliotheca Vaticana, e de 50. volumes originaes descubrirá ao Orbe Litterario grande copia de noticias que foraõ ocultas aos immensos estudos dos Emminentissimos Cardeaes Bona, e Thomasi, e dos eruditissimos Monges Benedictinos Mabillon, e Martene que doutamente escreveraõ sobre este argumento ao qual o exhorta o Pontifice reynante por hum Breve passado a 15. de Junho de 1747. com estas palavras. Tibi injungimus ut ad Liturgicas Institutiones, ad quas adornandas te aliás hortati sumus, iterum manum admoveas, atque juris publici facias. Do seu fecundo engenho sahiraõ as seguintes produçoens.

Directorio para o exame geral, e particular das conciencias dos Religiosos da Companhia de Jesus. Coimbra

Sanazarus de partu Virginis. Conimbricae 1733. Nesta obra mudou a ordem dos Epigrammas, e fez argumentos aos tres livros de que ella consta.

Pomarium Latinitatis editio postrema ac nova Lusitano ordine translata Auctore P. Francisco Pomey S. J. Conimbricae ex Tipog. Collegii S. J. 12.

Poeticae Facultatis Amphiteatrum. Eborae ex Typographia Academiae 1710. fol. Consta das Conclusoens impressas em 24. folhas de papel grande das quaes se fez mençaõ assima.

De Ortographia Commentarius in gratiam eorum qui Santissimi Domini Nostri Benedicti XIV. Opera recensent. Roma ex Typographia Palladii. 1747. fol.

De Servorum Dei Beatificatione, & Beatorum Canonizatione. Esta obra composta pelo Santissimo Padre Benedicto XIV. he augmentada nesta terceira ediçaõ por deligencia do Padre Manoel de Azevedo da qual ja sahio o 1. Tomo com huma eruditissima Prefaçaõ do addicionador.

De Catholicae Ecclesiae pietate erga animas in Purgatorio degentes. Romae 1748. fol. Compoz este tratado em 15 dias onde mostrou o custume, e origem de se celebrarem tres Missas por cada Sacerdote no dia 2. De Novembro dedicado á Commemoraçaõ dos Defuntos de cujo trabalho se seguio conceder o Pontifice Benedicto XIV. por indulto expedido em Roma a 21. De Agosto de 1748. que em o Reyno de Portugal, e suas Conquistas se celebrassem tres

Missas no dia 2. de Novembro para alivio das Almas do Purgatorio.

Epistola Encyclica. Romae 1748. 12. He huma Carta circular para os Portuguezes em que relata o estado em que se acha a causa da Beatificaçaõ do nosso primeiro Monarcha D. Affonso Henriques da qual he elle o Expostulador, e pede lhe remetaõ as noticias que cada hum tiver sobre esta materia.

Vita S. Theotonij primi Conimbricensis Caenobii Santae Crucis Moderatoris. Está na impressaõ.

Institutiones Liturgicae. fol. 12. Tom. M. S.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]