MANOEL DE FARIA, E SOUZA Cavalleiro professo da Ordem de Christo, e Commendador pensionario da Commenda de Rodam naceo a 19. de Março de 1590 . na sua Quinta do Souto do Conselho de Filgueiras, e foy bautizado na Parochial Igreja de Santa Maria de Põmbeiro antigo Mosteiro Benedictino situado em a ribeira de Visella da fertil, e amena Provincia de Entre Douro, e Minho com igual distancia entre as Villas de Guimaraens, e Amarante de cujo berço se jacta no Epit. das Histor. Portug. Part. 2. cap. 2. e Part. 3. cap. 6. e mais difusamente na 2. Part. da Fuent. de Aganip. Poem. 12. Estanc. 100. e 103. dizendo,

El baño en este Templo se exercita,

Que es la primera puerta a ser Christiano:

Aqui me dió tal bien mano infinita

Su titulo, su Nombre Soberano,

Por el amor sin Musas dizir quiero

Es de Santa Maria de Pombero.

Aqui mi vida en un ameno Soto

Bien assombrado de castaño, y roble

A poner en su rueca empeço Cloto;

En nico quando humilde, en nada ignoble:

Una Torre de Lizes adornada

Me diò si nó riqueza, sangre honrada.

Teve por Progenitores a Amador Perez de Eiró Fidalgo da Casa Real, e a Luiza de Faria e Souza filha de Estacio de Faria Moço Fidalgo, e neta de Manoel de Souza Homem Senhor do Solar de Valmelhorado dos quaes herdou os appelidos cuja ascendencia se derivava do antigo Castello de Faria esmaltado de Lizes a que allude o mesmo Manoel de Faria nos versos assima escritos. A natureza se empenhou a formar na sua pessoa hum exemplar de todos os dotes scientificos concorrendo a viveza do engenho, a felicidade da memoria, e a vasta liçaõ da Historia, e Poesia para ser venerado por Oraculo. Na tenra idade de dez annos debuxava com a penna como se fora pincel merecendo algumas estampas primorosamente illuminadas pela sua maõ a estimaçaõ de insignes professores da pintura. Para se instruir perfeitamente na Grammatica Latina cujos primeiros rudimentos ouvira de seu pay, passou á Cidade de Braga onde tambem estudou Logica, e como o genio o inclinava para a Poesia preferio as delicias de Apollo ás especulaçoens de Aristoteles compondo ja nos primeiros annos varios versos que examinados em idade mais madura os julgou mais dignos do fogo, que da luz publica. Tanta era a madureza que descubrio na adolescencia que quando contava quatorze annos o elegeo por Secretario seu parente D. Fr. Gonçalo de Moraes Bispo do Porto, e na escola deste virtuoso Prelado aprendeo pelo espaço de dez annos os mais solidos documentos da vida moral, e politica. Elegendo o estado conjugal se despozou no anno de 1614. na Freguesia do Bougado com D. Catherina Machado filha unica de Pedro Machado primeiro Contador da Fazenda Real do Porto, e de sua mulher Catherina Lopes Ferreira a tempo que ambos contavaõ a florente idade de vinte e quatro annos, e em trinta e cinco que foraõ casados teve dez filhos, seis machos, e quatro femeas. Entre elles se distinguiraõ Pedro de Faria que deixando as letras pelas armas foy Capitaõ de Cavallos em Flandes e casou em Madrid com D. Luiza de Narvaes Delgado sobrinha de D. Francisco de Parraga, e Roxas nomeado Secretario do Embaxador a Roma o Marquez de Castello Rodrigo: Manoel de Faria e Souza chamado como seu pay se embarcou para a India no anno de 1639. seguindo os vestigios militares de seu irmaõ Pedro de Faria: e D. Luiza de  Faria, e Souza que foy despozada com D. Conrado de Freitas Paym a qual foy insigne na arte da pintura, e na destreza suave com que tocava todos os instrumentos. Do Porto passou no anno de 1618. com toda a sua familia para Pombeiro onde viviaõ seus Pays na celebrada Quinta da Caravela porém como aspirasse a fortuna mais benevola deixando a patria partio para Madrid convidado por Pedro Alvres Pereira Senhor de Serra de Leoa, Secretario do Conselho de Estado dos Reys Filippe III. e IV. e destinado Conde de Mugem, de cuja jornada faz expressa mençaõ na sua Fortuna, e Vid. liv. 2. cap. 1. dizendo: In baculo meo transivi Jordanem, pues si Jacob lo dixo porque en aquel transito era todo su caudal un cayado, aun venia a ser mas debil el mio para con el mundo, pues se reduzia solamente a buenas partes, que para la honra fueron graciosas para lo util havian de ser desgraciadas. Foy recebido por Pedro Alvres com estimaçaõ igual ao seu talento porém fallecendo intempestivamente se lhe frustaraõ tambem fundadas esperanças. Resoluto a voltar para Portugal o persuadio o Marquez de Castello Rodrigo D. Manoel de Moura Corte Real com promessa de grandes premios. Neste tempo recebeo huma carta escrita para este Cavalheiro por D. Affonso Furtado de Mendoça Arcebispo de Lisboa e Governador do Reyno, e lhe entregou na qual dezia: Nunca vì a Manoel de Faria e Souza, mas pela noticia que tenho das suas partes, talento, e informaçaõ de  seus custumes, que tudo se qualifica como que sey que V. Excellencia o estima, o consultey no Officio de Secretario de Estado da India tendo por certo que Sua Magestade será bem servido. A este despacho se oppoz o Marquez com o pretexto de ser limitado premio de huma pessoa taõ benemerita, e o mesmo effeito teve outra ocupaçaõ em que o propunha o Secretario Francisco de Lucena. Por ocasiaõ do apresto de huma Armada que sahia de Lisboa passou a esta Cidade no anno de 1628 . e nesta jornada contrahio a surdez que padeceo por toda a vida, e por este novo serviço como tambem pelo ardente dezejo que tinha Affonso Furtado de Mendoça de ocupar taõ grande talento em hum lugar igualmente honorifico, que rendoso o nomeou Secretario de Estado do Reyno cuja mercê se frustrou por deligencias do Marquez de Castello Rodrigo que como estava nomeado Embaxador a Roma o convidou com repetidas instancias para Secretario da Embaxada a cuja eleiçaõ por algum tempo resistio até que cedendo da sua repugnancia despedindo-se de seus pays partio de Portugal no anno de 1630. com toda a sua familia acompanhando ao Marquez que logo que chegou a Roma lhe entregou a cifra da Embaxada. Nesta grande Corte foy buscado pelo Conde de Castelvilani Camareiro mór do Pontifice que o conhecia pelas suas obras, e lhe pedio escrevesse hum Poema á Coroaçaõ de Urbano VIII. Obedeceo promptamente a esta insinuaçaõ, e como o Papa era insigne Poeta recebeo com grande aplauzo o Poema louvando-lhe quando lhe deu audiencia a 14. de Setembro de 1633. o enthusiasmo, elegancia, cadencia, e suavidade com que metrificava seguindo exactamente os vestigios dos primeiros Corifeos do Parnasso. Estas honorificas expressoens do Pontifice as mandou individualmente relatadas o Cardeal Barbarino seu sobrinho em huma carta ao Colleitor de Portugal. Dezenganado de  que todo o Clima era nocivo ao augmento da sua fortuna deixando Roma voltou para Madrid no anno de 1634. onde experimentou a fatalidade de ser prezo por inconfidente, nacendo esta sospeita da assistencia que fizera em Roma, mas sendo restituido á sua liberdade pelo Secretario de Estado D. Jeronimo da Villanova lhe insinuou da parte delRey querer servir-se do seu talento destinando-lhe por omenagem a Corte, e huma decente pensaõ para susteto da sua familia. Querendo explicar o infructuoso trabalho do seu serviço no espaço de trinta annos formou huma empreza em cujo corpo estava pintada de hum lado a Torre, e Lizes dos Farias, e de outra hum compasso aberto sobre hum livro. Cubria tudo huma coroa com esta letra in vanum laboraverunt. Alludia nesta enfatica figura que a nobre ascendencia da sua geraçaõ, e a incansavel aplicaçaõ do seu estudo foraõ infructuosas para alcançar a merecida remuneraçaõ. Com a mudança de tantos climas sempre conservou o mesmo genero de vida. Foy amante do retiro que o naõ conheciaõ de vista aquelles Ministros Cõ que pudera solicitar os seus despachos. Assistindo nas Cortes de Lisboa, Madrid, e Roma onde a multidaõ dos habitadores cauzaõ diversaõ ao genio mais austero, nunca frequentou casa alguma, mais que a propria, e a Igreja. Convidado por algumas pessoas de summa authoridade para seu Comensal sempre se escuzou dizendo: Hallo menos gusto en los más fabrosos manjares, que en estar a mi gusto, y nó al ageno. A sua conversaçaõ era muito aprazivel, e grata a quem o tratava familiarmente por ser ornada de agudos, e festivaes apothegmas, quando para outros era julgado excessivamente severo nacendo este imaginado defeito de fallar pouco por ouvir menos. Sendo rigido censor das obras alheas sogeitava com summa docilidade as suas para a emenda. Observou inviolavelmente a verdade mostrando-se sempre inimigo jurado da lizonja. Ninguem foy mais liberal de aplauzos aos benemeritos, como dificil aos indignos. A aplicaçaõ ao estudo practicada por toda a vida era excessivamente laboriosa pois tanto que rayava o dia até alta noute naõ descansava de estar escrevendo cujo exercicio se interrompia com o breve tempo do jantar, e cea. Era taõ veloz a sua penna, e o seu engenho taõ fecundo que em hum dia escreveo cem cartas de parabens, e pezames com tanta variedade de expressoens, e conceitos que huma se naõ parecia com outra. Naõ causa menor admiraçaõ, o que elle confessa na 2. Part. dos Comment. das Rim. do Cam. no Sonet. 187. escrever cada dia doze folhas de trinta regras cada pagina, e cada regra constar de sessenta, e mais letras sendo-lhe precizo revolver diversos livros para o que escrevia. Nos ultimos quinze annos, que precederaõ á sua morte se dedicou em obsequio da Patria a escrever a Historia das Açoens Politicas, e Militares que nas quatro Partes do Mundo obraraõ os Portuguezes para cuja heroica empreza imitou, e excedeo aos Floros, Paterculos, Justinos, Salustios, Plutarchos e Curcios uzando de laconismo elegante com que igualmente instrue, e deleita; e para naõ ser acusado de alguma preocupaçaõ injuriosa á verdade da narraçaõ forma algumas invectivas em que se vem vivamente retratados a austeridade do seu genio, e o zelo do seu animo. Naõ foy menos estimavel o seu talento pela Historia, que pela Poesia da qual penetrou os mysterios mais reconditos como revelados pelos Principes desta divina Arte que floreceraõ em Italia Hespanha, e França donde naceo illustrar ao grande Camoens com aquelles nunca assas louvados Commentarios dos seus Lusiadas em que se está admirado a vastissima noticia que tinha alcançado da Poetica podendo gloriar-se de ser o primeiro que escreveo em versos de outo Syllabas o que se compunha em onze como tambem as sextinas de consoantes, e acrecentar a estas vogaes repetidas com que ficavaõ mais agradaveis. A continua aplicaçaõ ao estudo sem algum exercicio corporal lhe causou a infermidade de retençaõ da ourina á qual precederaõ terriveis dores que constantemente tolerou até que passados dous annos certificado do termo da sua vida se preparou para a morte com actos religiosos, e depois de ordenado o seu Testamento, e recebidos os Sacramentos espirou a 3. de Junho em que se celebrava a Festa do Corpo de Deos de 1649. quando contava 59. annos, dous mezes, e 16. dias de idade e naõ de 61. annos, e a 2. de Junho como modernamente escreveo o Padre D. Antonio Caet. de Sousa Apparat. á Hist. Gen. da Cas. Real. p. 91. §. 83. Aberto o cadaver se acharaõ na bexiga cento e cincoenta pedras entre grandes, e pequenas, corruptos os intestinos, e apostemadas as vias. Ao dia seguinte de sua morte foy sepultado no Convento dos Premonstratenses da Corte de Madrid, e sobre o caxaõ que se collocou no altar do lado do Evangelho, que está na parte subterranea da Sancristia se lhe poz este letreiro.

Aqui jaz Manoel de Faria, e Sousa Cavallero de la Ordem de Christo,y de la Casa Real. Murio a 3.y fue sepultado a 4. de Junio de 1639. Por deligencia de sua mulher foraõ transferidos os seus ossos para a Igreja de Santa Maria do Pombeiro onde recebera a primeira graça, e collocados em huma sepultura junto á Sancristia onde ella foy sepultada, e sobre a campa se gravou o seguinte epitafio.

Inclytus hìc jacet uxore sua sepultus scriptor ille Lusus Emmanuel de Faria, e Sousa die 6. Septembris 1660.

Teve mediana estatura, rosto mais redondo, que largo; cor morena e pallida; olhos grandes, e negros modestamente alegres; nariz sem excesso avultado, boca pequena, beiços grossos; cabello mais castanho que negro, sendo mais branco o da barba que conservou comprida conforme o estilo antigo dos Portuguezes. No vestido foy taõ moderado, que mais parecia de Filosofo, que de Cortezaõ. O seu nome celebraõ as pennas de doutissimos Escritores como merecido tributo ao seu incomparavel engenho. Agost. Barbos. Mem. a Filip. IV. fol. 13. nostri saeculi in politioribus litteris apprime doctus. Nicol. Ant. Bib. Vet. Hisp. lib. 9. cap. 6. §. 268. doctus vir, & eloquens, e Bib. Hisp. Tom. 1. p. 266. col. 1. Multa namque industria eruditionem omnem Latinam, Galicam, Italicam, suamque Hispanicam imbibit mente… Prosà aeque ac versa oratione disertus, nervosa que, & mascula dictione ingenio que ea, & judicio plena insurgens. Abreu Vid. de Santa Quiteria cap. 8. p. 166. Escritor Portuguez, taõ aceito, como elegante, e advertido. Miguel Joaõ Vimbodim. Geneal. Famil. Vimbod. cap. 5. argutus rerum Lusitanarum Scriptor virque omnium bene de litteris scientium approbatione ad quaecumque litteraria munera ob egregias animi dotes cum laude obeunda natus. Franc. Ignacio Porres 1. Part. dos seus Sermoens fol. 92. Floro Lusitano. Tamayo Martyrol. Hispan. Tom. 4. ad 30. Jul. pag. 296. Antiquitatum, & Historiae Lusitanicae fuit princeps, ut ejus scripta testantur. Mend. Silva Cathalog. Real de Espan. p. 206. nuestro moderno Tacito Lusitano. Manoel de Sous. Moreir. Theatr. Gen. da Casa de Sousa p. 363. Hombre tan judicioso como libre, y sin controversia el mas erudito varon de nuestra patria, y nuestro siglo. Franckenau Bib. Hisp. Gen. p. 100. vir omnium civium ore laudatissimus pag. 105. praeclarus vir. Macedo Flor. de Espan. cap. 8. excel. 7. noble ingenio Lusitano. Antonio de Leaõ Pinelo dos velos en los rost. De las mugeres fol. 13. tan conocido por sus obras de historia, y erudicion en España y fuera della que aunque este lugar me la diera mayor para su alabança me escusara della la summa estimacion que entre todos los de mejor juizo tienen las que hà dado a lus, y tendram las que le faltan por publicar &c. Claud. Clem. Ars Gentil. Insig. Part. 4. cap. 4. Vir limati ingenii, & exquesitae eruditionis. Manriq. Annal Cisterc. Tom. 1. ad ann. Christi 1129. cap. 3. §. 5. acris, gravis que judicii author. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. E. n. 37. Vir fuit. multae eruditionis, & eloquentiae magnae. Niceron Mem. des hom. illustr. Tom. 36. pag. 398. Pour ce qui est de ses histoires l’ordre y est fort bien suive, e la Chronologie en est exacte. Bien loin de pouvoir l’ acuser de flatterie, on trouve qu’il s’y est donné trop de liberté, en censurant sans menagement les persones; les plus qualifièes e les Princes mesmes. Macedo Lusit. Inful. p. 281. acri vir ingenio. Porcel Retrat. de Manoel de Far. §. 57. En ellas (falla das suas obras) se vè felizmente logrado aquel inemitable proceder de los Maestros. Vense en ellas aquellas facilidades dificiles, aquel elevado discurrir, aquel pensar subtilissimo, aquella gravedad decorosa, aquella moderacion prudente, aquel estilo proporcionado a los assumptos: aquellos primores finalmente com que merecieron sus obras ser exemplar, e los futuros. Gaspar dos Reys Franco Camp. Elysius Jucund. Quaest. Quaest. 88. n. 4. dissertissimus Lopo da Vega.

Laurel de Apollo. Silva. 3.

Eligen, a Faria

Que en historia, e Poesia

Saben, que no pudiera

Darle mayor la Lusitana esfera,

A un que tantos com razon se precia,

Que pueden embidiar Italia y Grecia,

Como lo muestran oy tantos escritos

Vestidos de conceptos inauditos,

Elocuciones, frazes y colores

Frutos de letras y de versos flores.

Cathalogo das obras impressas por ordem Chronologica.

Muerte de JESUS, y llanto de Maria. Madrid. 1623. 8.

Fabula de Narciso y Eco. Lisboa por Pedro Crasbeeck 1623 8. Dedicada a Lopo da Vega Carpio, & ibi por Jozé Antonio da Sylva 1737 4. Consta de 50. Outavas.

Fuente de Aganipe, e Rimas varias 7. Partes. Madrid por Diego Flamengo 1624 1625, e 1627. por Andres de la Parra, Cosme Delgado, e Diego Flamengo. 8. 12., e 16. Foraõ recebidas com tanto aplauso estas Poesias de Lopo da Vega, y outros insignes Poetas, que ja no anno de 1639. eraõ dificultosas de se acharem como o author escreve na sua Vida liv. 2. cap. 5. Sahiraõ novamente correctas, e acrecentadas por Manoel de Faria como elle confessa na Dedicatoria da primeira Parte a Felix Machado de Castro Marquez de Montebello, e Senhor de entre Homem, e Cavado dizendo-lhe: La mayor parte desto se imprimio en diferentes años casi sin lima. Despues que la edad me alumbrò algo màs escribi de nuevo, y megore lo escrito. Madrid por Carlos Sanches Bravo, e Juan Sanches. 1644. e 1646. 8. Consta a 1. Parte de 600. Sonetos. A 2. de 12. Poemas en 8. rima, Silvas, e sextinas 3. Cançoens, Odes, Madrigaes, Sextinas e Tercetos 4. comprehende 20. Eglogas. 5. Redondilhas, Glossas, Cantilenas, Decimas, Romances, Epigramas. 6. Musa Nueva. Consta de Sonetos, Outavas, Tercetos Cançoens, Odes, Madrigaes redusidos a versos menores, por cuja causa intitula a esta Parte Musa nueva. Este livro remeteo o Author a Joaõ Franco Barreto como escreve na Bib. Portug. M. S. para que introdusisse este novo genero de metrificar na Academia instituida em Casa de D. Francisco Manoel de Mello. A 7. Parte consta de Acrosthicos, Esdrucholos Eccos &c. a que chamou Engenho, e naõ o mostrou pequeno na fabrica, e artificio com que estaõ compostos. A todas estas 7. Partes precedem Discursos muito eruditos acerca dos versos de que constaõ, onde se manifesta a profunda erudiçaõ do author.

Epithalamio alos Casamientos de los Señores Marquezes de Molina. Saragoça 1624 4. He huma larga Cançaõ. Noches Claras, divinas y humanas flores. Madrid por Diego Flamengo 1624 8. Esta obra intitulou Manoel de Faria, e Sousa Discursos Morales y Politicos. Cujo titulo mudou o Impressor em Noches Claras persuadido de que com este pomposo nome seria mais vendavel. Estranhou esta mudança seu Author, e ainda mais algumas vozes, e termos acrecentados que o faziaõ mais escuro do que claro. Querendo satisfazer o Impressor a Manoel de Faria fez estampar no frontispicio do livro o Sol dizendo que com elle ninguem podia affirmar que estava escuro. Celebra Manoel de Faria no liv. 1. cap. 2. da sua Vida M. S. esta innocente satisfaçaõ do Impressor. Em aplauso desta obra fez o grande Lopo da Vega a seguinte decima.

Peregrina erudicion

De varias flores vestida,

Enseñansa entretenida,

Y sabrosa correcion:

Fuerças de ingenio son

Dulce pluma docta mano

De un Filosofo Christiano

Sosa de las letras sol

Demosthenes Español,

Y Seneca Lusitano.

Sahio segunda vez impresso Lisboa por Antonio Crasbeeck de Mello 1674. 8.

Epitome de las Historias Portuguezas 1. e 2. Tomo divididos em 4. Partes. Madrid por Francisco Martines 1628. 4. Lisboa por Francisco Villela 1663. 4. & ibi pelo mesmo 1674 4. Brusellas por Francisco Fopens 1677. fol. com os Retratos dos Reys de Portugal, e novamente acrecentado ibi pelo dito Impressor 1730 fol. Esta obra a compoz primeiramente em Outava Rima Portugueza, e depois a publicou em Proza Castelhana.

Escuriale per Jacobum Gibbes Anglum. Matriti apud Joannem Sanches 1638 4. Traduzido em huma Ode Castelhana esta descripçaõ Latina do Real Convento do  Escurial.

Lusiadas de Luiz de Camoens Principe de los Poemas de España commentadas todas. Contienen de lo mas de lo principal de la Historia, e Geografia del mundo, y singularmente de España; mucha politica excellente y Catholica, varia moralidad, y doctrina; aguda e entretenida satyra en comum a los vicios: y de profession los lances de la Poesia verdadera y grave: y su mas alto y solido pensar. Todo sin salir de la idea del Poeta. Madrid por Juan Sanches 1639 fol. 2. Tom. Principiou esta obra no anno de 1614. em que trabalhou pelo dilatado espaço de Vinte e cinco annos examinando mais de mil authores, e destes trezentos Italianos como elle mesmo confessa no fim da mesma obra a pag. 670. Correspondeo o aplauzo dos mayores eruditos á expectaçaõ com que era dezejada celebrando a seu author com os seguintes elogios. O insigne Poeta Lopo Feliz da Vega Carpio no Elogio impresso no principio do mesmo Commento . 1. Para los que deseavan entender al Camoens, y aun para el mismo mas hizo Manoel de Faria que el; porque si grande el uno estava escondido el otro le haze mayor manifestando-le: aquel nos veló muchos motivos de gusto, este nos le colmio corriendo-le los velos… assi como Luiz de Camoens es Principe de los Poetas que escrivieron en idioma vulgar, lo es Manoel de Faria de los Commentadores en todas lenguas porque ningum Commento a Poeta tan profundo salio de una sola mano tan cabal como este. Fr. Fernand. Camargo Epit. Histor. fol. 312. El felicissimo ingenio de Manoel de Faria, e Sousa en aquella dilatada obra de sus Commentarios al rarissimo Poeta Luiz de Camoens, que tantos años anduuo desentendido, e este illustre Cavallero le da bien a entender contoda variedad de letras divinas, y humanas. Thomaz Tamayo de Vargas censurando esta obra. El ingenio, erudicion, y deligencia de Manoel de Faria e Sousa con increible, y loable fatiga há sacada a mejor luz de la obscuridad, en que hasta a ora estava sepultada la profundidad del ingenio del Poeta, la fama de su Heroe, y la gloria de los Reyes, e Cavalleros de su nacion. Naõ foy poderosa esta aclamaçaõ litteraria em aplauzo deste Commento para confundir a emulaçaõ indiscreta com que se atreveu a acuzalla de menos Catholica na Inquisiçaõ de Castella, sendo o primeiro author desta acusaçaõ D. Agostinho Manoel de Vasconsellos estimulado de que mostrando a Vida delRey D. Joaõ o II. que compuzera, a Manoel de Faria, este uzando do seu genio livre lhe estranhou que tivesse nella tresladado paginas inteiras da Vida de S. Pio V. escrita por Antonio de Fuen-Mayor e varias clausuras das obras de Pedro Matheo e posto qe afectadamente aceitou a advertencia riscando o que tresladara, começou a publicar que no Epitome das Historias Portuguezas escrevera Manoel de Faria muitas cousas que prudentemente devera encubrir, a cuja critica lhe satisfez marginando-lhe o livro da Sucessaõ de Filippe em Portugal composto pelo dito D. Agostinho Manoel onde lhe notava naõ sómente inadvertencias manifestas, mas ignorancias afectadas. Julgada a acusaçaõ por calumniosa no Tribunal da Inquisiçaõ de Castella donde conseguio Manoel de Faria glorioso triumpho das cavilosas maquinas deste seu emulo passou elle a Portugal, e colligado com Manoel de Galhegos, que estava sentido de ter Manoel de Faria acremente criticado hum Discurso feito em defeza da Ulyssea de Gabriel Pereira de Castro impresso ao principio desta obra, e com Manoel Pires de Almeida que vaõglorioso com o estudo que fizera em Roma sobre os mysterios da Poesia tinha escrito a Faria naõ approvasse os erros em que cahira Camoens, cuja advertecia desprezando como sabio, se armou este triumvirato contra Manoel de Faria aprezentãdo hum libello na Inquisiçaõ de Lisboa com o qual se persuadiaõ conseguir o fim dos seus intentos em Portugal que se lhe frustraraõ em Castella. Mandou Panteleaõ Rodrigues Pacheco Inquizidor da primeira Cadeira que se examinasse o libello, e por parecer de alguns Qualificadores foraõ prohibidos os Commentos de Camoens. Para se revogar esta prohibiçaõ que offendia o credito de hum varaõ taõ benemerito de fama perduravel se empenharaõ pessoas de mayor graduaçaõ como foraõ D. Alvaro da Costa Capellaõ mór, D. Gregorio de Castellobranco Conde de Villa-Nova e Francisco de Sá e Menezes Conde de Matozinhos, e ainda que se dilatou por algum tempo o despacho desta pertençaõ sendo Inquisidor Geral D. Francisco de Castro mandou ao Author que defendesse as propoziçoens que eraõ delatadas como injuriosas ao sentido Catholico, e no breve espaço de quinze dias escreveo a seguinte obra.

Informacion en favor de Manoel de Faria, y Sousa Cavallero de la Orden de Christo e de la Casa Real sobre la acuzacion que se hizo en el Tribunal del Santo Officio de Lisboa a los Commentarios que docta, y judiciosa católicamente escrivio a las Lusiadas del doctissimo e profundissimo, e solidissimo Poeta Christiano Luiz de Camoens unico ornamento de la Academia Española en este genero de letras. 1640 fol. Naõ tem lugar da impressaõ.

Imperio de la China, y cultura Evangelica en el por los religiosos de la Compania de Jesus sacado de las noticias del Padre Alvaro Semedo de la propia Compañia. Madrid por Juan Sanches 1642 4. e Lisboa en la Officina Herreriana 1730 fol.

Nenia. Poema Acrosticho a la Reina de España D. Izabel de Borbon. Madrid en la Imprenta Real 1644 4. A este Assumpto. Compoz

Tres Sonetos Cançaõ Acrosticha, e hum Soneto Portuguez com as letras Augusta Izabela. 79. Outavas. Epicedio. Lyras en eco. 10. Decimas. Endechas. Todas estas obras Poeticas em Castelhano sahiraõ na Pompa Funeral de la Reina de Castilla D. Izabel de Borbon celebrada en el Convento de S. Jeronimo de Madrid. Madrid por Diego Diaz de la Carrera 1645 4. A este funebre assumpto compoz 40. Poemas como affirma no Comment. da Cent. 1. dos Sonet. De Camoens. Sonet. 22. pag. 60. col. 1.

Nobiliario del Conde de Barcelos D. Pedro hijo delRey D. Dioniz de Portugal traduzido, e castigado con nuevas illustraciones de varias Notas. Madrid por Alonso de Paredes 1646 fol. No Prologo mostra com evidencia estar adulterado em muitas partes este Nobiliario, e como tal naõ ser genuina produçaõ de seu Author. Estas Notas ja tinhaõ sido impressas no fim deste Nobiliario da impressaõ de Roma por Estevaõ Paulinio 1640. fol.

El gran Justicia de Aragon D. Martim Baptista de Lanuza. Madrid por Diego Diaz de la Carrera 1650 4.

Asia Portugueza Tom. 1. Lisboa por Henrique Valente de Oliveira 1666 fol. & ibi por Bernardo da Costa de Carvalho 1703 fol. Consta do principio desta conquista até onde suspendeo a pena o grande Joaõ de Barros.

Asia Portugueza Tom. 2. Lisboa por Antonio Crasbeeck de Mello 1674 fol. comprehende a Historia desde o anno de 1538. até 1581.

Asia Portugueza Tom. 3. Lisboa pelo dito Impressor 1675 fol. Contem os sucessos do tempo do dominio dos Reys Castelhanos.

Na Dedicatoria que fez desta grande obra a Filippe IV. que naõ sahio a publico, lhe dizia. Mi intento fue conseguir una suerte de brevedad nò confusa a donde nó ubiesse falta de alguna accion memorable, e un genero de dilacion recogida a donde no se hallase sobra de alguna clausula escusada. Acomodeme por ventura menos a esta ponderacion, que a mi proprio porque no siendome concedida la virtud de saberme estender en elegantes discursos vine a hazer virtud del aprieto.

Europa Portugueza Tom. 1. Lisboa por Henrique Valente de Oliveira 1667 fol. & ibi por Antonio Crasbeeck de Melo 1678 fol. Nesta 2. ediçaõ sahio mais acrecentada. Consta este 1. Tomo desde o tempo do Diluvio até que Portugal teve Rey proprio. Na censura que lhe fez D. Antonio Alvares da Cunha a 2. de Abril de 1677. diz. O Epitome das Historias Portuguezas obra taõ celebrada deste Author servirá de Index a estes volumes que agora manifesta; este que agora leva o segundo lugar na ordem da Impressaõ he o primeiro na Ordem da Historia.

Europa Portugueza Tomo 2. Lisboa por Antonio Craesbeeck de Mello 1679 fol. Comprehende o tempo do Conde D. Henrique atè D. Joaõ o III.

Europa Portugueza Tomo 3. ibi pelo dito Impressor 1680 fol. Comprehende desde ElRey D. Sebastiaõ até Filippe IV. com huma larga Descripçaõ do Reyno de Portugal.

Africa Portugueza. Lisboa pelo dito Impressor 1681 fol. Consta das Conquistas delRey D. Joaõ o I. até o anno de 1562.

Todas estas obras historicas sahiraõ á luz publica por diligencia do Capitaõ Pedro de Faria, e Sousa filho do Author.

Rimas varias de Luiz de Camoens Principe de los Poetas heroicos, y Liricos de España commentadas Tom. 1. e 2. que contienen la 1. 2. y 3. Centuria de los Sonetos. Lisboa por Theotonio Damaso de Mello 1685 fol.

Rimas varias &c Tom. 3. 4. e 5. 2. Parte. El tomo 3. contiene las Canciones,

las Odes, y las Sextinas. El tom. 4. las Elegias, e Octavas; el 5. las primeras ocho

Eglogas. Lisboa en la Officina Crasbeeckiana 1685 fol.

Peregrino Instruido. 4. sem nome do author, e do impressor.

Obras M. S.

America Portugueza. Constava de tudo quanto nella tinhaõ obrado os Portuguezes desde o descubrimento do Brasil até o anno de 1640. com a Discripçaõ daquella dilatada Provincia. Esta obra se entregou em Madrid a Duarte Coelho de Albuquerque Senhor de Pernambuco que a queria imprimir á sua custa por ter nella grande parte, porém pedindo  faculdade ao Conselho Real para a impressaõ, o Secretario Diogo Soares que era mal afecto a Duarte Coelho a ocultou de sorte que nunca mais apareceo naõ logrando da luz publica como erradamente escreveo o addicionador da Bib. Occid. de Antonio de Leaõ. Tom. 2. Tit. 12. col. 676.

Cathalogo de los Escritores Portuguezes. 4. Consta de 823. Authores cujo original tive em meu poder, e he muito mais copioso do que aquelle que está impresso no Epitom. das Hist. Portug. Conserva-se na Bibliotheca do Excellentissimo Conde de Redondo.

Albania. Poema Lyrico. Foy argumento desta obra D. Maria Pinto assistente no Convento de S. Bento de Vayraõ a quem na sua adolescencia dedicava o author as suas Poesias.

Arte Poetica, e versificatoria. 4. Esta obra que o Capitaõ Pedro de Faria, e Sousa filho do author deu ao Arcebispo de Braga D. Luiz de Sousa se conserva na Livraria de D. Manoel de Sousa Capitaõ da Guarda Real filho de D. Filippe de Sousa sobrinho daquelle Prelado.

Historia de los Marquezes do Castello Rodrigo, e de la Familia de Moura. Foy escrita á instancia do Marquez de Castello Rodrigo deixando-a imperfeita Joaõ Baptista Lavanha. Della fazem memoria Leo Allat Apes Urbanae p. 112. Franckenau Bib. Hisp. Gen. Herald. p. 105. e Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 267. col. 1.

Centuria de Cartas.

Filosofia natural de Alberto Magno traduzida em Castelhano.

Vidas de S. Paulo primero Ermita, S. Hilarion, e S. Malco traduzidas de Latim de S. Jeronimo.

Chronica del Principe D. Juan despues Rey de Portugal que escrivio Damian de Goes.

Historia de España escrita por Apiano traduzida em Castelhano.

Rimas varias de Luiz de Camoens Commentadas Tomo 6. contiene octo Eglogas halladas de nuevo.

Rimas varias. Tomo 7. contiene todos los versos menores.

Comedias, e Prozas del mismo Poeta commentadas.

Fortuna, e vida de Manuel de Faria, e Souza Cavallero del Orden de Christo, e de la Casa Real. He dividida em 9. livros. Começa o 1. El mejor titulo, que ai en el mundo es el hombre, aunque el hombre sea nacido en la maior miseria de calidad de sangre, e de bienes de la fortuna; esto enseño el increado Creador.  Acaba o ultimo. Yò sé que mi vida yà nò puede ser mucha porque al entrada del mez de Março hize 55. anos que son muchos para un cuerpo lleno de infermedades, de trabajos, y de flaqueza procedida dellos, e dellas. Notas ao Poema da Ulissea do Doutor Gabriel Pereira de Castro. O original se conserva na Livraria da Congregaçaõ do Oratorio de Lisboa. Desta obra faz o mesmo author mençaõ no Juizo do Poema de Luiz de Camoens col. 89. que está impresso ao principio do 1. Tomo dos Comment. das Lusiadas.

Notas a Cornelio Tacito traduzido por Manoel Soeiro do qual se fará memoria em seu lugar. Estavaõ escritas nas margens da letra de Manoel de Faria em hum exemplar que conservava na sua Livraria o Padre Fr. Manoel Baptista de Castro religioso de S. Jeronimo morador no Real Convento de Belem onde o vimos.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]