ALVARO RODRIGUES D’AZEVEDO, chamado antes JOSÉ RODRIGUES D’AZEVEDO, Bacharel em Direito pela Univ. de Coimbra, e actualmente Professor d’Oratoria e Poetica no Lyceu Nacional do Funchal. – N. em Villa Franca de Xira no anno de 1824. – E.

263) Leituras populares. I. O Livro de um Democrata. Coimbra, na Imp. da Univ. 1848.12.º gr. de 132 pag.

264) O Communismo. Discurso proferido na Aula de Practica forense da Univ. de Coimbra, em que se expõe e combate esta doutrina. Lisboa 1848. 8.º.

Este senhor quiz travar comigo pela imprensa no anno de 1852 uma desagradavel polemica, que mui bem poderia escusar. Estava eu áquelle tempo persuadido de que um parecer, ou censura dada pelo dr. Francisco de Sousa Loureiro ácerca de um drama intitulado Miguel de Vasconcellos (a qual tinha lido impressa nas Memorias do Conservatorio Real de Lisboa, tomo II, 1843, pag. 114, e era assás desfavoravel á obra censurada) recahira sobre um drama, que o sr. Azevedo compozera alguns annos antes com o mesmo titulo, e de que nos fizera leitura a mim, e a alguns seus amigos. N’esta persuasão, pois, e em boa fé assim lh’o signifiquei, em amigavel e familiar conversação, sem animo de offendel‑o, e commemorando simplesmente o facto, por ter vindo a proposito da materia que tractavamos. Não sabia então, e mal o podia suppor, que quasi a um mesmo tempo, isto e, por fins de 1841 e principios de 1842 tivessem concorrido ao Conservatorio dous diversos dramas, ambos com titulo identico Miguel de Vasconcellos; que um e outro tivessem sido distribuidos ao mesmo censor Loureiro; e que dos dous pareceres dados por este com referencia aos dous dramas, um só tivesse sido publicado nas Memorias, ficando o outro guardado no archivo do Conservatorio. O sr. Azevedo poderia facilimamente convencer‑me do meu erro involuntario, se apresentasse n’aquella occasião, ou ainda depois, a censura que elle affirmava ter‑lhe sido favoravel: mas por desgraça não a possuia, dizendo se lhe extraviara juntamente com o drama a que andava appensa. Passados alguns dias, quando eu não me lembrava mais de tal facto, e o julgava totalmente esquecido, deparei nas folhas periodicas com umas correspondencias, assignadas pelo sr. Azevedo, nas quaes appellidava céo e terra contra mim, com termos tão descomedidos e inconvenientes, que provocavam um desforço. Respondi‑lhe; elle retrucou, e não sei como terminaria a final esta impertinente contenda, se elle proprio, reconhecendo de certo a precipitação com que obrara, e a impropriedade do seu procedimento, não viesse suspender a minha ultima resposta já preparada, convidando‑me primeiro por uma attenciosa carta que me dirigiu, e que conservo, e depois tendo a bondade de procurar‑me pessoalmente, a fim de pôrmos termo á questão, que menos prudentemente suscitara. Condescendi então com o seu desejo, e guardei a minha resposta na gaveta, onde ainda existe. Mas devia esta explicação ao publico, visto que as peças d’este processo em que figuro como réo andam espalhadas nos numeros 2924, 2927 e 2942 da Revolução de Setembro, e em outros periodicos d’aquelle tempo. Releve‑se pois uma digressão sem exemplo, e que espero se não repetirá.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]