ALEXANDRE ANTONIO DE LIMA, Socio da Academia dos Occultos, e da dos Applicados. Foi natural de Lisboa, e n. a 21 de Janeiro de 1699. Ignoro a data do seu falecimento, constando apenas do que diz Barbosa no tomo IV, que elle vivia ainda em 1759. – E.

146) (C) Rasgos metricos em varias Poesias, offerecidas á senhora Sancta Anna. Lisboa, por Francisco da Silva 1742. 8.o de XVI‑246 pag. Posto que dedicados á sancta, nem por isso deixa de haver no livro versos de todas as especies e assumptos, alguns d’elles em estylo demasiadamente livre, e até burlesco. – Preço ordinario de 200 a 240 réis.

147) (C) Oração academica joco‑seria recitada na Academia dos Escolhidos d’esta Côrte. Lisboa por Antonio da Silva 1747. 4.o (O Catalogo da Academia diz erradamente por Manuel da Silva.)

148) (C) Parnaso Olympico. Oração academica, epithalamica e jocosa seria recitada no Congresso dos Occultos, etc. Ibi por Manuel da Silva 1748. 4.o de 23 pag.

149) Novena do Sacratissimo Coração de Jesus na qual se inclue o obsequio do purissimo coração de Maria Sanctissima senhora nossa. (O exemplar que d’ella tenho não declara logar, anno, ou nome do Impressor: mas Barbosa affirma que fora impressa em Lisboa por Antonio da Silva 1747.) Em 16.o de 77 pag.

150) (C) Novos Encantos de Amor. Representação Comica. Lisboa, por Pedro Gargareje 1737. 8.o

151) (C) Benteida, ou nova Metamorphose. Poema joco‑heroico. Constantinopla, na Off. Bigodiana 1752. 8.o gr. de 88 pag. sem numeração. Consta de tres cantos em oitava rythma e sahiu com o nome de Andronio Meliante Laxaed, que é, como se vê, o anagramma puro do auctor. Ha outra edição distincta e diversa d’este poema, como verifiquei pela confrontação feita do exemplar que possuo com outro que existe na livraria do extincto convento de Jesus. Ambas as edições apresentam a mesma indicação de logar, officina, e anno da impressão; o mesmo numero de paginas, e a falta de numeração n’estas: differem porém notavelmente nos typos, sendo o de uma d’ellas (que cuido ser a primeira) muito mais graudo que o da outra; o formato do papel é tambem algum tanto maior; mas ha n’aquella um ante‑rosto com a palavra Benteida que a outra não tem.

Este poema, que é na realidade uma satyra pessoal a individuos e cousas d’aquelle tempo, mas que hoje se torna para nós pouco menos que um enigma, por faltar a chave das allusões que encerra, e a noticia das personagens que o auctor introduziu na sua acção, recommenda‑se todavia pelo seu estylo chistoso, e pelo sal satyrico que em todo elle transparece. José Agostinho não sendo, como se sabe, dos mais prodigos em elogios, fala d’elle com louvor. (V. O Homem, Tentativa philosophica, pag. 135.) Não são communs os exemplares, posto que não possam qualificar‑se de raros. O seu preço medio tem sido de 300 a 480 réis.

152) Sonhava o cégo que via: Pois que é o que via o cégo? Volte folha, achará a resposta. Lisboa por Francisco Borges de Sousa 1763. 4.o de 20. pag. Anda tambem nos Rasgos Metricos.

De umas palavras do Bispo que foi do Pará D. Fr. João de S. José na Descripção da sua Viagem feita em 1762, que ha annos vi publicada na Revista do Instituto Hist. Geogr. do Brazil, tomo II a pag. 522, concluo que Alexandre Antonio de Lima succedeu ao infeliz Antonio José da Silva na tarefa de escrever operas para se representarem no theatro portuguez. Isto me induz a crer que serão d’elle pelo menos algumas das que formam os tomos III e IV do Theatro Comico, embora não tragam o seu nome, como tambem o não traz a opera Novos Encantos d’Amor, sendo indubitavelmente sua, e até impressa com elle em separado, como acima se mencionou.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]