MANOEL DE MATTOS BOTELHO, naceo em Lisboa a 17 de Janeiro de 1661 sendo filho de Manoel Botelho, e Maria de Jesus, e irmaõ do Excellentissimo e Reverendissimo Arcebispo da Bahia, D. Jozé Botelho de Mattos. Na Universidade de Coimbra estudou Theologia, e Direito Pontificio, e em ambas estas Faculdades se formou com credito da sua pessoa. Foy Abbade de duas Igrejas no Bispado de Miranda onde servio muitas vezes de Vigario Geral, e algumas de Governador nas ausencias do Arcebispo Bispo D. Joaõ Franco de Oliveira. Foy Prothonotario Apostolico, e Commissario do Santo Officio ornado de virtuosos custumes. Nas  Academias foy ouvido, e nos pulpitos com attençaõ conciliando com os seus discursos o aplauso dos ouvintes. Depois de renunciar a Igreja de que era Abbade assistio algum tempo no Dezerto do Busaco exercitando-se nas mortificaçoens, que praticaõ os seus severos habitadores. Retirado ao lugar de Sacavem falleceo piamente em o anno de 1744. quando contava 83 annos de idade. Na Cidade da Bahia onde presentemente he Arcebispo seu irmaõ o Illustrissimo e Reverendissimo D. Jozé Botelho de Mattos se celebraraõ sumptuosas Exequias á sua memoria no Mosteiro de Santa Clara a 17 de Julho de 1744. e na Misericordia a 24 do dito mez, e anno, cujos Panegyricos se imprimiraõ. Publicou

Sermaõ de S. Bernardo no seu dia, e Mosteiro novo de N. S. da Assumpçaõ do Lugar de Tabosa das Religiosas Capuchas da Sagrada Congregaçaõ de Cister. Coimbra por Jozé Ferreira Impressor da Universidade. 1698. 4.

Oraçaõ Funebre nas Exequias do Illustrissimo e Reverendissimo Senhor D. Joaõ Franco de Oliveira Arcebispo Bispo de Miranda magnificamente celebradas na Cathedral da mesma Cidade a 26 de Agosto de 1715. Lisboa por Antonio Pedroso Galraõ 1716. 4.

Diversas Poesias, compostas em varios metros, que tinha composto em idade juvenil, as entregou ao fogo como indignas de que fossem vistas.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]