D. AFFONSO DE PORTUGAL, filho illegitimo delRey D. Affonso Henriquez, e legitimo herdeiro de seus marciaes espíritos. O natural impulso para as armas, de que foy glorioso preludio a celebre conquista de Santarem, o arrebatou heroicamente para a Palestina, onde na Conquista da Terra santa fez proezas dignas do seu alto nascimento, pelas quaes mereceo, que por morte de Godofredo de Duisson fosse eleito no anno de 1194 XI Mestre da Ordem Militar de são Joaõ de Rhodes. Elevado a esta grande dignidade querendo que exatamente se observasse a disciplina regular, e militar, que estava pella introdução de muitos abusos relaxada, convocou Capitulo Geral na Cidade de Margato onde a Ordem depois da perda de Jerusalem residia. Nesta militar Assemblea depois de confirmar os Estatutos feitos em o anno de 1181 pelo Mestre Rogerio de Moulins, estabeleceo novamente algumas leys dirigidas à conservação, e aumento da Ordem. Porem coo seu ardente zelo degenerasse em summa severidade, que se fazia mais intolerável pelo lugar do ministério, e soberania do nascimento, veyo a experimentar huma remissa obediência nos súbditos, e passando a mayor excesso se rebellaraõ contra a sua Pessoa reduzindo-se a Ordem a huma espécie de Anarchia. Para evitar as funestas consequências de taõ precipitados insultos renunciou o Mestrado, e se restituhio a Portugal, onde acabou a carreira da sua vida em o 1 de Março de 1207. Jáz sepultado na Igreja de S. Joaõ da Villa de Santarem em hum mausoleo, que está ao ado esquerdo da Capella Mór, com este epitáfio: In aera MCCXXXXV Kalendis Martij obiit Fr. Alphonsus Magister Hospitalis Hierusalem Quisquis ades, qui morte cadis perlege, plora, Sum quod eris, fueram, quod es, pro me precor ora. Compoz: Estatutos novos para conservação, e aumento da Ordem militar de S. João de Rhodes. Desta obra faz menção Antonio du Verdier in Bibliothec. Gallic. impressa em Leaõ, 1585, in fol, dizendo Alphonse de Portugal Gran maestre des Chevaliers de S. Jean de Hierusalem, e Rhodes voyes ses Constituicions, y establissement au livre del Ordre des dits Chevaliers translate en Francois l’am 1444, in fol. Igualmente faz a mesma memoria Baudoin Hist. des Cheval. del Ord de S. Jean de Hierus., Tom. 1, cap. 3, pag. 29. Diversos elogios dedicaõ ao seu nome Gunes Chron. da Rel. de Malta, liv. 1, cap. 16. Fr. Antonio Brandaõ Mon. Lus., part. 3, liv. 10, cap. 20 onde o equivocou com seu Tio D. Pedro Affonso, Benard. Giustin. Hist. Chronol. del origin. dell’ordini Milit., part. 1, cap. 21, pag. 219. Vertot. Hist. des Cheval. Hospital de S. Jean de Hier., tom. 1, liv. 3, pag. mihi 255. Vasc. Anaceph. Reg. Lusit., pag. 25 n 22 chamandolhe Excelso virum animo, & arduis rebus agendis promptum. Card. Agiol. Lusit., tom. 2, pag. 6 e no comment. de 10 de Março letra E famoso Heroe, de grande coraçaõ, e magnanimidade nas militares empresas, de preclaros costumes, e religiosas acçoens. Sainct. Marth. Hist. Gen. dela Mais. de Franc., tom. 2, liv. 41, cap. 2, pag. 796. Homme courageux comme il temoigna en plusseus intreprises. Francisco de Santa Maria no Diario Portug., pag. 275. Fez leys utilíssimas ao bom governo da sua Religiaõ. Sousa. Histor. Gen. da Casa Real de Portug., liv. 1, cap. 2, pag. 61. O Padre Fr. Lucas de Santa Catherina nas Memor. da Ord. militar de S. Joaõ de Malta no capit. dos Gram Mestres pag. 22.

 

[Bibliotheca Lusitana, Historica, Critica e Chronologica, vol. 1]