MANOEL SEVERIM DE FARIA, naceo em a Cidade de Lisboa, sendo seus nobres Progenitores Gaspar Gil Severim, Executor mór do Reino, e Escrivaõ de Fazenda Real, e D. Juliana de Faria sua Prima, e segunda mulher, filha de Duarte Frade de Faria, e Maria Severim. Desde a primeira idade assistio em casa de seu Tio Balthazar de Faria Severim, Conego, e Chantre da Cathedral de Evora, onde frequentando a Universidade no estudo das letras amenas. e severas fez taes progressos a sua sublime comprehensaõ, e estudioso disvelo, que de Mestre em Artes se laureou com as insignias doutoraes em Theologia. Sendo eleito seu Tio pelo Cabbido de Evora no anno de 1604 para satisfazer o voto que fizera aquella authorizada Communidade a N. S. de Guadalupe, pelo beneficio da extinçaõ da peste que no anno de 1599 tinha devastado este Reino, o levou por seu companheiro, e como respeitasse na sua pessoa unidas as sciencias com as virtudes proprias do estado Ecclesiastico resoluto a deixar o seculo pelo austero Claustro da Cartuxa, onde com o nome de D. Basilio de Faria, servio de exemplar aos seus domesticos, lhe renunciou primeiramente a Conezia da qual tomou posse a 8 de Mayo de 1608, e do Chantrado a 16 de Setembro de 1609, sendo o seu mayor cuidado seguir os virtuosos vestigios de seu Tio assim na continua, e devota assistencia das Horas Canonicas, como na piedosa profusaõ de esmolas em que consumia a mayor parte da sua renda. A nobre ambiçaõ de adquirir novas noticias, assim sagradas, como profanas o impellia a continua liçaõ da sagrada Escritura, e Theologia Mystica, como tambem da Historia antiga, e moderna extendendo-se a sua applicaçaõ a examinar as maximas da Politica, os pontos da Geografia, as dificuldades da Chronologia, e as origens da Genealogia. Com igual dispendio, que eleiçaõ juntou huma livraria mais estimavel pela qualidade que pelo numero constando de livros rarissimos entre os quaes se distinguiaõ as obras do Infante D. Pedro, filho delRey D. Joaõ I. impressas seis annos depois de inventada a Impressaõ em Basilea; a Chronica de D. Affonso Henriques da letra original do grande André de Resende mais copiosa que a de Duarte Galvaõ: as obras do insigne Fr. Luiz de Granada na lingoa Japoneza: hum volume escrito no antigo papyro do Egypto, outro em folhas de palma, e abertos com estylo de ferro os caracteres; muitos volumes na lingoa Chinense com preciosas encadernaçoens de varias sedas, e brochas de admiravel artificio. Esta singular livraria (que he aplaudida pelo Illustrissimo D. Rodrigo da Cunha Hist. Eccles. de Braga. Part. 2. cap. 71. Fr. Antonio Brandaõ. Apend. da 3. Part. da Mon. Lusit. Fr. Francisco Brandaõ. Mon. Lusit. Part. 5. liv. 16. cap. 57. e Fr. Luiz dos Anjos Jardim de Portug. n. 171.) estava patente a todos os eruditos que queriaõ aproveitarse da sua liçaõ, como com agradecida memoria confessaõ Manoel de Faria e Sousa Nob. do Cond. D. Pedro fol. 680. n. 72. e Joaõ Soares de Araujo Success. Milit. liv. 4. cap. 1. Semelhante disvelo, e curiosidade praticou em hum Museo digno da Soberania de hum Principe composto de Estatuas, vasos, Medalhas, e moedas Gregas, e Romanas, como tambem dos Principes Godos, e Reys Portuguezes entre as quaes mereciaõ particular estimaçaõ huma de prata em que estava gravado Sertorio com a Cerva: outra de ouro com a effigie delRey Wamba, e outra do mesmo metal do Martyr S. Hermenegildo. A este erudito deposito da veneravel antiguidade louvaõ com grandes elogios Fr. Antonio Brandaõ Mon. Lusit. Part. 3. liv. 10. cap. 7. o Illustrissimo Cunha Hist. Eccles. de Lisb. Part. 1. cap. 30. Sousa de Macedo Lusit. Liberat. Apend. fol. 747. e Almeida Restaur. de Portug. Part. 1. cap. 37. Investigou com indefezo trabalho diversos Archivos, e Cartorios donde extrahio irrefragaveis documentos para estabellecer fundamentalmente as opinioens, que seguia merecendo ser venerado como o mais celebre antiquario do seu tempo naõ sómente pela erudiçaõ historica, mas pela judiciosa critica de que usava naõ se deixando preocupar do amor da Patria para lhe adoptar glorias fabulosas. Por eleiçaõ do seu Cabbido, foy nomeado em 18 de Dezembro de 1634 juntamente com o Deaõ Fernando de Mello para cumprimentar a Marqueza de Mantua D. Margarida de Austria, quando passou por Evora para Lisboa, com a incumbencia de Governadora deste Reino, cujo obsequio recebeo com benevolas expressoens naõ permitindo que lhe beijassem a maõ. Sentindo-se gravado de annos, e achaques se resolveo a renunciar as duas Prebendas que possuhia na Cathedral de Evora em seu sobrinho Manoel de Faria Severim, tomando este posse da Conezia a 4 de Abril de 1633, e do Chantrado a 19 de Março de 1642 com pensaõ de tresentos mil reis cedendo-lhe o resignado hum beneficio simples que tinha na Collegiada de Santa Maria da Villa de Obidos. Erigindo-se hum Baluarte para milhor defensa de Evora com o nome de Theodosio, em obsequio do Principe deste nome, filho do Serenissimo Rey D. Joaõ IV. lançou no alicerce a 28 de Abril de 1652 a segunda pedra, e a primeira o Deaõ, a terceira o Mestre de Campo Diogo Gomes de Figueiredo, e a quarta Antonio Borges Senador mais velho, levando cada pedra gravado o nome de quem a lançou. Concorreo com profusa liberalidade para a Fundaçaõ do Collegio dos Mininos Orfãos de Evora instituido por seu sobrinho Manoel de Faria Severim. No exemplarissimo Convento do Salvador de Religiosas Franciscanas que fora antigamente Palacio do grande Sertorio, gravou na porta travessa estes dous disticos compostos pela sua elegante Musa.

Hanc olim augustam coluit Sertorius aedem

Hospitis angusta est numine facta novi.

Par fuit illa Duci, sed Salvatoris imago

Maior ab augusta Templa minora fecit.

Oprimido do achaque da Tirisia, e conhecendo ser mortal enfermidade ordenou o seu testamento, que lhe escreveo em 27 de Agosto de 1655 o Doutor Joaõ da Costa Pimenta Dezembargador da Relaçaõ, e Reitor do Collegio da Madre de Deos, e foy aprovado pelo Tabaliaõ Joaõ Baptista de Carvalho em o dia de 28. Recebidos os Sacramentos com summa devoçaõ espirou placidamente em a Cidade de Evora, quando contava 72 annos de idade a 25 de Setembro de 1655 em cujo dia, e anno foy aberto o Testamento pelo Tabaliaõ Ignacio de Mattos de Carvalho na presença de Manoel de Macedo de Siqueira Vereador mais velho, e Juiz pela Ordenaçaõ como tudo consta do livro das Capellas da Sé de Evora fol. 73. Deixou as suas casas situadas na rua da Mesquita vinculadas ao morgado de seu Pay acrecentandolhe doze Missas na Capella de N. S. da Humildade de Sucerra. Foy ornado de estatura perfeita, e organizaçaõ corpulenta. Teve os olhos azues a cor do rosto pallida, e o semblante agradavel. O seu cadaver acompanhado das Communidades Religiosas, Clero, e Confrarias da Cidade, Nobreza, e povo foy conduzido ao Convento da Cartuxa, onde em hum angulo do Cimiterio se lhe deo sepultura. Sobre a campa estaõ abertas as armas dos Severins, e Farias com a seguinte inscripçaõ.

Manoel Severim de Faria Chantre, e Conego da Sè de Evora elegeo para si esta sepultura assim por sua devoçaõ, como por estar nella o corpo do P. D. Basilio de Faria seu tio, que falleceo sendo Prior deste Convento a 5 de Abril de 1625.

Na Cathedral de Evora se lhe faz Anniversario com Missa a 25 de Setembro para o qual deixou huns foros ao Cabbido seu sobrinho Manoel de Faria Severim, Conego, e Chantre de Evora. He celebrado o nome de taõ insigne Varaõ pelas penas de famosos Escritores competindo os elogios de huns com outros. Antonio de Sousa de Macedo Lusit. Liberat. Apend. fol. 747. Vir multis titulis clarus, diligentissimus collector antiquitatum. e na Eva, e Ave. Part. 1. cap. 38. n. 5. erudito, curioso, e naõ menos virtuoso. Fr. Belchior de Santa Anna, Chron. dos Carm. Descals. Da Prov. de Portug. Tom. 1. liv. 2. cap. 46. n. 534. Com sua muita erudiçaõ, maduro juiso, e universal conhecimento das historias grangeou taõ avãtajado lugar entre os Antiquarios, que nenhum o tem mais honrado. Fr. Leaõ de Santo Thomaz Bened. Lusit. Tom. 1. Part. 3. cap. 14. pag. 455. pessoa bem qualificada em Nobreza, e bem conhecida por suas partes das quaes naõ he a menor o ser muy curioso, muy douto, e diligente Antiquario. Franc. Moreno Porcel Retrat. De Manoel de Faria. §. 79. Notorio por sus letras, y erudicion en España. Leitaõ Mem. da Univ. de Coimb. p. 122. eruditissimo antiquario P. Antonio de Macedo Lusit. Purpur. in Praefat. doctrina, probitate, & sanguinis claritate conspicuus. Brito Mon. Lusit. Part. 2. liv. 6. cap. 27. pelo zelo com que procura as memorias da sua patria se deve honrosa lembrança. Brandaõ Mon. Lusit. Part. 5. liv. 17. cap. 5. deposito benemerito de todos os thesouros da antiguidade. Illustrissimo Cunha Hist. Eccl. de Braga Part. 1. cap. 58. cuja authoridade, quando faltassem outros, podia fazer provavel a justiça desta Cidade. Franckenau Bib. Hisp. Herald. Geneal. p. 106. vir praecipue ob Antiquitatum patriarum studium inter suos magni habitus. Fr. Luiz dos Anjos Jardim de Portug. p. 539. zeloso de todas as Historias deste Reino. Fr. Ant. Brandaõ Prol. da 3. Part. da Mon. Lusit. digno de illustres elogios pelo zelo que tem da honra de sua patria, e pelo credito que tem alcançado com seus estudos. Lope da Vega Elog. de Camoens impresso no principio dos Comment. dos Lusiadas de Manoel de Faria, e Sousa §. 24. Por quien las maiores dignidades suspirar, mas que el por ellas: siendo harta lastima que letras solidas, animo candido, zelo puro, y virtud calificada todo en un sugeto de una de las mejores caridades Portuguezas se está holgando en daño del bien publico de la Iglesia. Cardoso. Agiolog. Lusit. Tom. 2. p. 41. no Comment. de Janeir. litr. G. a quem confessamos dever muita parte desta obra, naõ só por particulares noticias, que com grande liberalidade para ella nos communicou, mas tambem porque com sua muita erudiçaõ, maduro juizo, e universal conhecimento da Historia Ecclesiastica, e politica deste Reino nas muitas duvidas, que necessariamente em obra taõ universal, e dilatada se nos offereceraõ, com muita facilidade se dignou responder, satisfazer, e alumiar, de cujos louvores por sentirmos insuficientes, e a elle por sua modestia lhe serem molestos ouvir, nos escusamos, pois he assas conhecido dentro, e fora deste Reino por único Mecenas dos curiosos, e antiquario. e p. 495. no Com. de 21. de Fevereiro letr. A. Insigne Antiquario deste Reino, e singular ornamento do seculo presente, e p. 546. no Comment. de 28 de Fevereiro letr. A. com sua muy exquisita erudiçaõ, e indefesso estudo da Historia Ecclesiastica, e politica deste Reino. P. Francisco Pinheiro na Dedicatoria de Censu, & Emphyteusi. In quo virtutum decora, ac praesertim effusa in pauperes largitas cum litterarum studio, & omnigenae eruditionis affluentia pari semper contentione decertarunt, ut vel ipsi ejus tum pietate, tum eruditione referti ubique protestantur. Quam ego adeo semper miratus sum, ut cum eum adirem quod assidue, & visendi, & consulendi causa faciebam, non sapientem aliquem sed pene Oraculum me adire, & audire arbitrabar. D. Franc. Manoel Epanaf de Var. Hist. p. 159. Mestre, e insigne Varaõ que a morte nos roubou, porque ainda que de larga idade copiosa em frutos de letras, e virtudes, sempre duraõ pouco ao mundo os Varoens que como este, vivem nelle. Joan. Soar. de Brito. Theatr. Lusit.Litter. lit. E. n. 72. Vir genere per nobilis, & omni quidem, sed Lusitanica praecipue eruditione insignis, & morum qualitate spectabilis, proinde que doctis &eruditis percharus ut pote qui nemini unquam de suo locupletissimo litterario Thesauro quaecumque à se peterentur aut negavit, aut invidit, unde a cunctis fere hujus saeculi Lusitanis scriptoribus magna cum laudis praefatione meritò commendatur. Joaõ Franco Barreto Histor. dos Bisp. de Evora M. S. cap. 12. muy erudito em toda a materia, e diligentissimo Antiquario. Manoel de Faria e Sousa Inform. sobre a Cens. ás Lusiad. p. 103. Cavallero illustre por sangre, letras, y juizio. D. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. p. 292. col. 2. Saeculo nostro spectatus, & ab omnibus Lusitanae gentis scriptoribus summo loco habitus industriae singularis nomine in conquirendis hujus regni antiquitatibus, eruditeque, &cum judicio gravitatis pleno ad veri obruzam examinandis; ut non immeritò palmam hujus laudis ei deferre soleant, qui inter Portugalliae cives aliquo harum litterarum, doctrinae que honore censentur. Fonseca Evor. Glorios. p. 234. Famoso Escritor, e Antiquario e p. 407. Varaõ insigne em todo o genero de letras, e noticia das antigualhas, assim como o foy na virtude, e piedade Christã. Bonucci Vita di D. Affons. Enriques. liv. 3. cap. 2. diligente investigatore del’ antiquità, e zelantissimo promotore degli honori di sua patria. Sousa Apparat. á Hist. Gen. da Cas. Real Portug. p. 101. §. 102. com particular estudo das letras sagradas, e Mystica muy versado nas humanas,sciente na Historia, Politica, e Genealogico, erudito nas Antiguidades. Fr. Henrique de S. Antonio Chron. dos Erim. da Serra deOssa. liv. 1. cap. 15. n. 138. cuja authoridade na liçaõ, e pontos de Historia se naõ excede, equivale á de muitos Escritores graves. D. Franc. de Herrer. Maldonado Poema do Parto de la Virgen. liv. 3.

Manoel de Severim y de Faria

Sea de Lusitania preeminencia,

Pues en el mira el rublo author del dia

Tal discurso, virtud, saber, y sciencia.

Manoel Thomaz Fenix da Lusitan. liv. 4. Estanc. 63. 64. e 65. onde se enganou fazendo-o natural de Evora, sendo certamente de Lisboa.

Mas naõ só deve Evora excellente

Gloriarse por esta primazia,

Mas por Patria do docto preeminente

Graõ Severim illustre de Faria:

Daquelle Manoel sempre eloquente

Que a Demosthenes sabio desafia,

E entre Varoens por letras soberanos

Deixa vencidos Gregos, e Romanos.

Do que illustrando a Patria Lusitana

Com estudos, com sciencias, com escritos

Indoctos Escritores desengana

Por previa Aurora, e Sal dos eruditos;

A cuja vigilancia soberana

A Patria deve livros infinitos,

E mais fama que tem (se a considero)

Rudia por Ennio, Esmirna por Homero.

Seu nome insigne, altivo, e glorioso

Se conhece na Europa dilatado,

Por investigador maravilhoso

De quanto tem da Patria o nome honrado,

Como Escritor doutissimo famoso

Euterpe este louvor digno lhe ha dado,

Porque entre as Lusitanas altas glorias

Lhe deve mais Amor estas memorias.

Compoz

Dous Epigrammas Latinos, em aplauso de Fr. Bernardo de Brito, Author da Monarchia Lusitana. Sahiraõ na 2. Part. Lisboa, por Pedro Crasbeeck 1609. fol.

Discursos varios politicos. Evora, por Manoel Carvalho, Impressor da Universidade 1624. 4. Consta de 7. Discursos. O 1. da Assistencia delRey em Lisboa . 2. Vida de Joaõ de Barros. 3. da lingoa Portugueza. 4. Vida de Luiz de Camoens. 5. do exercicio da Caça. 6. Vida de Diogo de Couto. 7. da Origem das vestes.  Sacerdotaes.

Meditaçoens do Santissimo Sacramento. Lisboa 1638. 8.

Exercicio da perfeiçaõ, e Doutrina espiritual para extinguir vicios, e adquirir virtudes. Lisboa, por Paulo Crasbeeck 1649. 8. He Compendio das obras espirituaes do P. Francisco Rodrigues da Companhia de Jesus.

Promptuario espiritual, e exemplar de virtudes em que brevemente se explicaõ as materias mais importantes para a salvaçaõ das almas com varios exemplos de doutrina, e edificaçaõ, e a meditaçaõ de Deos pela excellencia das creaturas. Lisboa, por Paulo Crasbeeck. 1651. 4.

Noticias de Portugal. Contém 8. Discursos. 1. dos meyos com que Portugal pode crecer em grande numero de gente para augmento da milicia, agricultura, e navegaçaõ. 2. Sobre a ordem da milicia que havia antigamente em Portugal, e das forças militares que hoje tem para se conservar, e ficar superior a seus contrarios. 3. das Familias de Portugal com a noticia da sua antiguidade, origem dos appellidos, e razaõ dos Brazoens das Armas de cada huma. 4. Sobre as moedas de Portugal. 5. Sobre as Universidades de Espanha. 6. Sobre a propagaçaõ do Evangelho das Provincias de Guiné. 7. Sobre as causas de muitos naufragios, que fazem as naos da Carreira da India pela grandeza dellas. 8. Sobre a peregrinaçaõ aonde se ve a noticia de alguns Cardeaes Portuguezes, e elogios de alguns Portuguezes insignes. Lisboa, na Officina Crasbeeck 1655. fol. Desta obra falla com louvor o P. Menestrier Art. du Blason. p. 74. Sahio segunda vez addicionada por meu irmaõ Dom Jozé Barbosa Clerigo Regular, Chronista da Serenissima Casa de Bragança, e Academico do numero da Academia Real, e com a vida do Author impressa no principio desta addiçaõ. Lisboa, por Antonio Isidoro da Fonseca. 1740.  fol.

Relaçaõ universal do que succedeo em Portugal, e mais Provincias do Occidente, e Oriente de Março de 625 até todo Setembro de 626. Lisboa, por  Giraldo da Vinha 1626 4.

Relaçaõ do que succedeo em Portugal, e mais Provincias do Oriente, e Occidente, desde Março de 1626 até Agosto de 1627. Evora, por Manoel Carvalho 1628. 4. Publicou estas duas Relaçoens com o suposto nome de Francisco de Abreu.

Obras M. S.

Historia delRey D. Joaõ III. por annos, e mezes tirada dos Originaes, e Relaçoens naõ impressas com os sucessos de Berberia, Guiné, e Brasil. fol.

Historia delRey D. Sebastiaõ desde seu nacimento, por annos, e dias assim de Portugal, como de suas Conquistas. fol.

Historia do governo delRey D. Henrique com todos os successos dos letigios da sucessaõ. Dos sinco Governadores até o levantamento do Prior do Crato, e seu embarque para França. fol.

Annaes de Portugal que comprehendem os successos do Reino, e suas Conquistas de todo o tempo, que governaraõ os tres Reys de Castella, até a Aclamaçaõ delRey D. Joaõ IV. Desta obra extrahio as duas Relaçoens impressas de que assima se fez mençaõ.

Historia das Cathedraes de Portugal, e suas Conquistas, com o Cathalogo dos Bispos, e Igrejas.

Historia dos Prelados de Evora. Desta obra se lembraõ Fr. Antonio Brandaõ Mon. Lusit. Part. 3. liv. 11. cap. 10. e D. Nicol. de Santa Maria Chron. dos Coneg. Reg. liv. 11. cap. 10. n. 5

Historia das Quatro Ordens Militares, com a Relaçaõ dos Mestres, e Commendas dellas. fol.

Discursos varios. Consta o 1. da causa do pouco proveito da milicia da India, depois que faltaraõ os Reys Portuguezes. 2. Sobre as lans. 3. Da Peregrinaçaõ. 4. das Fabulas. 5. dos costumes encontrados da gente, e natureza.

Jornada, que fez a Miranda em o anno de 1609 a dar os parabens a D. Diogo de Sousa de estar eleito Arcebispo de Evora, onde dá individual noticia das terras por onde passou. 4.

Relaçaõ de outra jornada feita no anno de 1625 com a noticia das terras que vio. 4.

Vida do P. Gaspar de Macedo Jesuita seu Confessor, escrita a 3 de Junho de 1639. Conservava em seu poder esta obra o Licenciado Jorge Cardoso, como affirma no Agiol. Lusit. Tom. 3. p. 327. no Coment. de 15 de Mayo letr. H.

Discurso sobre a patria de S. Joaõ Guarim. Desta obra o faz Author o allegado Cardoso Agiol. Lusit. Tom. 3. pag. 957. no Comment. de 12 de Junho letr. C.

Relaçaõ da Vida solitaria da Serra de Ossa escrita em 16 de Mayo de 1643 remetida ao M. Fr. Isidoro de S. Fulgencio Erimita da mesma Congregaçaõ, da qual faz memoria o P. Fr. Henrique de Santo Antonio na Chron. da mesma Congreg. que modernamente publicou Tom. 1. liv. 1. cap. 15. n. 138. Esta Relaçaõ poderá ser o Paraiso Erimitico de Portugal, que Manoel Severim de Faria remeteo a Jorge Cardoso com huma Carta escrita a 26 de Janeiro de 1642 cuja Carta vio o P. Francisco da Cruz Jesuita, como deixou escrito nas Memorias M. S. para a Bib. Portug.

Notas ás Lusiadas de Luiz de Camoens. Nellas achou Manoel de Faria e Souza como escreve nas addiçoens aos Coment. das Lusiadas pag. 647. cento e  cincoenta lugares de differentes Authores, que o Poeta tinha imitado, e entre elles vinte e quatro que lhe foraõ occultos á sua vasta erudiçaõ.

Arvore Genealogica da Serenissima Casa de Bragança, oferecida no anno de 1615 ao Duque D. Theodosio II. do nome. Estava primorosamente illuminada, e nella se comprehendia toda a descendencia desta Serenissima Casa.

Fidalguia Portugueza. Nobiliario de todas as Familias nobres do Reino referindo de cada huma o solar, a causa do apellido, e explicaçaõ das Armas, e Brazoens, que tomaraõ, e as pessoas eminentes que nellas floreceraõ. Destas duas obras faz mençaõ o P. Sousa Appar. á Hist. Gen. da Cas. Real Portug. p. 102. §. 102.

Discurso Genealogico da verdadeira origem da Familia dos Menezes.  Consta de huma refutaçaõ contra D. Manoel de Menezes que seguio ser o tronco dos Menezes do Tello que floreceo no seculo Nono, mostrando evidentemente ser D. Pedro Bernardo de S. Fagundo origem desta Familia. O original desta obra se conservava na Bibliotheca do Cardeal Pereira, como escreve o P. Sousa no fim do Tom. 8. da Hist. Gen. da Cas. Real Portug. p. 6.

Index do Carthorio do Cabbido de Evora. No fim estaõ escritas da sua propria maõ as seguintes palavras. De todos estes livros tirou este Indice o Chantre Manoel Severim de Faria, por mandado do Cabbido, na composiçaõ do qual gastou muitos annos, e o veyo a acabar em 18 de Março de 1642, que foy o ultimo, que esteve no serviço desta S. Igreja. Manoel Severim de Faria. Conserva-se na Secretaria do Cabbido de Evora.

Lembranças proprias, ou memorias da sua vida, e tempo desde 1609 até 1655.

Noticias importantes do anno 1606, 1607 1608, em que se comprehendem varias cousas pertencentes á Historia de Portugal. 4.

Memorial de Cardiaes Portuguezes differente do que está impresso em as Noticias de Portugal.

Defença do livro Patrimonio Real de Balthazar de Faria Chantre de Evora. Exhortaçaõ aos do Conselho para hum novo Tribunal da Reformaçaõ do Reino. Parecer sobre se naõ largarem os lugares de Africa. Parecer sobre o descobrimento da India. Utilidades da Historia. Origem dos Ermitaens da Serra de Ossa. Exequias do Arcebispo de Evora o Senhor D. Alexandre de Bragança. Proposiçaõ para a vida do Conde de Marialva. Observaçoens curiosas sobre alguns Bispados do Reino. Lembrança para huma Companhia da India, sua Fazenda, e Milicia. Annotaçoens á 1. e 2. Decada de Barros. Todos estes papeis estavaõ em hum Tom. de fol.

Obrigaçaõ que os Reys de Portugal tem de procurarem a conversaõ dos Povos de Guiné. Foy esta obra escrita no anno de 1622, e consta de muitas noticias convenientes ás Missoens da Africa.

Tratado dos preceitos da Historia. Nelle refere a ordem com que distribue a do Maranhaõ, que estava compondo.

Excellencias da lingoa Portugueza.

Instrucçaõ a seu sobrinho D. Francisco Manoel, partindo para a India a 3 de Março de 1622.

Relaçaõ dos sucessos de Portugal do anno 1622 até 1623, com noticias exactas, e particulares.

Regras do Estado de hum Principe perfeito, tiradas da Vida de D. Joaõ II.

Tratado das preeminencias dos Fidalgos de Portugal.

Discurso sobre as Minas de Monomotapa.

Discurso em que se prova a precedencia de Portugal a outros Reinos.

Exercicios espirituaes extrahidos das Epistolas de S. Jeronymo.

Memoria do Mosteiro de S. Bento que houve no Alentejo antes da entrada dos Arabes em Espanha.

Cartas sobre pontos historicos, e Genealogicos.

Rezoens contra a uniaõ, que se pertencia de Portugal a Castella no anno de 1638.

Rezoens para se naõ admitirem Sinagogas em Portugal.

Discurso Genealogico sobre a Ascendencia dos Castros de seis, e treze arruelas.

Relaçaõ dos castigos que tiveraõ os Reys de Portugal, que favoreceraõ Judeos.

Epitome da Vida delRey D. Pedro I. de Portugal.

Tratado da Familia dos Farias.

Historia Geral do Brasil, da qual escreveo sómente 3. Capitulos, e huma Relaçaõ muito exacta do seu descobrimento com o Cathalogo dos seus Governadores. fol.

Tratado da conformidade com a vontade de Deos.

Tratado espiritual da claridade da consciencia.

Armas das Cidades de Portugal, e rezaõ porque as tomaraõ.

Arbitrios sobre o Reino, e as Conquistas.

Annotaçoens á Historia de Evora.

Cathalogo dos Bispos de Coimbra.

Todas estas obras se conservaõ encadernadas em diversos Tomos de folha, e 4. Na Livraria do Excellentissimo Conde de Vimieiro, para cuja Casa passou a mayor parte da que possuhia o Chantre Manoel Severim de Faria Author dellas.

 

 [Bibliotheca Lusitana, vol. III]