D. MARIANA DE LUNA, natural da Cidade de Coimbra, e filha de hum Lente da Universidade da sua patria. Foy muito inclinada á Poesia, em que o seu engenho alcançou grandes aplausos pela subtileza dos conceitos, cadencia das vozes, e novidade de ideas. À elevaçaõ do seu enthusiasmo lhe dedicou o seguinte Elogio metrico a insigne Violante do Ceo a p. 14. das suas Rimas.

Musas, que no jardim do Rey do dia

Soltando a doce voz prendeis o vento,

Deidades, que admirando o pensamento

As flores augmentaes, que Apollo cria.

Deixay, deixay do Sol a companhia,

Que fazendo envejoso o Firmamento

Hua Lua, que he Sol, e que he portento

Hum jardim nos fabríca de armonia.

E porque naõ cuideis, que tal ventura

Pode pagar tributo á variedade

Pelo que tem de Lua a 1uz mais pura;

Sabey que acreditando a divindade

Este jardim sonoro se assegura

Com o muro immortal da eternidade.

De muitas Poesias que compoz a diversos assumptos publicou a seguinte em que expressou o affecto com que aplaudia a Aclamaçaõ delRey D. Joaõ IV.

Ramilhete de varias flores á felicidade deste Reino de Portugal em a sua milagrosa restauraçaõ pela Magestade delRey D. Joaõ IV. Lisboa, por Domingos Lopes Rosa. 1641. 4. Della fazem illustre mençaõ Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. M. n. 5. e o Author do Theatr. Heroin. Tom. 2. pag. 276.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]