MIGUEL BOTELHO DE CARVALHO, Cavalleiro professo da Ordem Militar de Christo naceo em a Cidade de Viseu da Provincia da Beira no anno de 1595, sendo filho de Manoel Botelho de Carvalho, e de Filippa Machada igualmente nobres, e virtuosos. Passou á India no anno de 1622, com o Vice-Rey do Estado D. Francisco da Gama IV. Conde de Vidigueira eleito segunda vez para taõ honorifico lugar, do qual foy Secretario, em cujo ministerio mostrou o seu judicioso talento como tambem valor heroico rebatendo com o posto de Capitaõ o impulso dos inimigos do Estado, e pelejando com huma Nao Ingleza no Estreito de Sincapura. Restituido a Portugal acompanhou a D. Vasco Luiz da Gama, I. Marquez de Niza, quando no anno de 1647, foy por Embaixador extraordinario á Corte de Pariz. Teve natural inclinaçaõ para a Poesia, compondo com elegancia, e cadencia versos de todo o genero de metros. Como a famoso alumno do Parnaso he celebrado por insignes Poetas, como saõ Manoel de Galhegos Templo da Memor. Estant. 18. liv. 4.

Deixay Botelho os pastoris amores,

E os Heróes celebray, que o mundo admira

Redusaõ-se a Soldados os pastores,

Soe trombeta o que antes era lira:

Faça Mavorte lança do cajado,

Carro seja triunfante o duro arado.

Jacinto Cordeiro Elog. dos Poet. Lusit. Estant. 59.

Y si a Miguel Botelho dan tributo

Quedan con tanta gloria superiores,

Que en pluma activa con acion galharda

Resucitan memorias de Clenarda.

Compoz

Fabula de Piramo, y Tisbe. Madrid por la Viuda de Fernan Correa 1621. 4. Consta de 93 Oitavas.

El Pastor de Clenarda. Madrid por la Viuda de Fernan Correa Montenegro 1622. 8. Verso, e Prosa Castelhana.

La Filiz. Poema de 8 Cantos em Oitava Rima. Madrid por Luiz Sanches 1641. 8. Na censura desta obra diz o grande Manoel de Faria, e Sousa: ay en esta escritura elegantes, y hermosos lances todos hijos de estudio bien logrado, y de un natural excellente, que haze competir la altura con la facilidad, dos cosas necessarias en la Poesia, y que rara vez se juntan.

Soliloquio a Christo nuestro Señor en la Cruz. Pariz por Miguel Blageart. 1645. 8. Consta de 8 Quartetos, e huma glossa em Oitava Rima.

Rimas Varias, y Tragicomedia del Martyr de Etyopia. Ruan por Lourenço Maurry. 1646. 8. Em aplauso desta obra fez Antonio Henriques Gomez, de quem em seu lugar se fez mençaõ, as seguintes Decimas.

Estas, que os dictò sonoras

Rimas la mejor Thalia

Varias luzes son del dia

Rayos son de dos Auroras.

Las de nuestro siglo Floras

En la patria Lusitana

Y entre la Nobleza urbana

Hallaran en vuestro Cielo

Poca sombra para Delo

Mucho Sol para Diana.

Tan cuerdamente advertis,

Tan dulcemente cantais,

Que las Musas colocais

A la Corte de Pariz.

Si lo Comico escreris

Con tanta destreza es,

Que en lo Lyrico, e Cortes

Sois discreto Cortezano

Un Terencio Lusitano,

Un Orfeo Portuguez.

Rimas Divinas, y humanas. Part. 2. Fazem do seu Nome distincta memoria, Franco Bib. Portug. M. S. D. Franc. Manoel Cart. 1. da Cent. 4. das suas Cartas, e Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. letr. M. n. 31.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]