PAYO RODRIGUES DE VILLARINHO, natural da Cidade de Béja, e irmaõ do Desembargador Pedro Lopes de Villarinho, Senhor das Herdades da Ribeira, Odiarca, Valverde, e Cortes de Bringel. Deixando a patria com o nobre intento de adquirir profunda noticia de sciencias aprendeo as escolasticas em a celebre Universidade de Pariz, onde dictou Filosofia, e recebeo as insignias doutoraes na Faculdade Theologica. A fama da sua grande literatura moveo a ElRey D. Joaõ III. para o chamar para Mestre da Athenas Conimbricense, de que era feliz restaurador, e logo que obedeceo á insinuaçaõ Real, foy provido na Cadeira da Escritura em o 1 de Junho de 1547 explicando na hora de Terça o Testamento Novo com tanta subtileza, e profundidade que mereceo algumas vezes ser seu ouvinte o insigne Navarro Oraculo da Jurisprudencia Pontificia. O aplauso q conciliava na Cadeira o explica cõ estas elegantes expressoens Joaõ Fernandes Mestre de Rhetorica em Coimbra, quando recitou huma Oraçaõ Latina em o anno de 1548, no qual visitou a mesma Universidade o Serenissimo Infante D. Luiz. Quo te piaculo taceam, Pai Roderice vir omnibus numeris absolutissime! Hic est ille qui in media Parisiorum Academia lectissimos primum juvenes Aristotelica Philosofia felicissime instituit, qui per omnes eruditionis gradus, & diatribas ad summum doctoralis coronae, apicem ita pervernit, ut omnibus fere anteiret. Qui hanc nostram Academiam ingenio, doctrina, prudentia ita exornat, ut nulli mihi postponendus videatur. Qui denique ad Novi Testamenti sacraria, & adyta sic penetrat, ut etiam si nondum scissum esset velum antiqui Templi ex mediis tamen Cherubim ex arca, & typicis mysteriis Christi Crucem extorqueret. Quam semper cum Paulo, cum Joanne, & caeteris Canonicis Scriptoribus tanta facundia praedicat, ut etiam aliarum scientiarum mystas magna frequentia ad se trahat. Foy Conego Magistral de Evora, de cuja dignidade tomou posse a 23 de Dezembro de 1556, e juntamente Prior da Igreja de S. Martinho da Villa de Cerolico do Bispado da Guarda. Por Carta escrita de Almeirim a 26 de Janeiro de 1572 o creou Inquisidor de Evora o Cardeal D. Henrique como consta a fol. 84 das Cartas originaes escritas ao Cabido. Foy Provisor do Arcebispado em o anno de 1574, e Governador juntamente com os Conegos Diogo Mendes de Vasconcellos, e Francisco de Mello, e eleito a 24 de Julho de 1577 Procurador de todas as Igrejas Collegiaes, e Mosteiros de Evora para defender o seu direito contra o Motu proprio de Gregorio XIII. em que concedeo as Terças dos Priorados, e Mosteiros das Igrejas do Arcebispado. Falleceo ferido da peste no anno de 1580 em o Convento de Santo Antaõ de Val de Infante de Religiosos Erimitas de S. Paulo proximo á Villa do Canal em a Provincia Transtagana. No Testamento de sua irmãa Isabel de Villarinho Viuva de Antonio Bocarro, ordenou que o corpo de seu irmaõ Pedro Lopes de Villarinho fosse trasladado para a Cathedral de Evora. Compoz

Commentaria in Epistolam ad Hebraeos. fol. M. S. Principia a Prefaçaõ. Cum ex multis, quae uniuscujusque tractationis initio praemitti consueverunt, &c. Começa a Obra. Hoc primo capite Christi dignitatem, & excellentiam supra Angelos multis demonstrat Prophetarum testimoniis, &c. O original se conserva na Livraria do Collegio de Evora dos Religiosos Paulistas.

Decisiones quaedam matura deliberatione, & judicio Facultatis Theologiae Conimbricensis super articulis quibusdam in quibus hujus temporis haeritici á Catholicis dissident factae mense Julio an. 15… praesentibus Reverendissimo P. Fr. Jacobo de Murcia ejusdem Universitatis Rectore, Alphonso à Prato Facultatis Decano. M. Alvaro Gometio, M. Marco Romerio, M. Fr. Martino Ledesma M. Pelagio Roderigo omnibus Theologiae Doctoribus. Constavaõ as Decisoens sobre as materias de Ecclesia. De Generalibus Ecclesiae Conciliis. De Primatu Petri, nas quaes trabalhou muito Payo Rodrigues Villarinho. Todas estavaõ encadernadas em hum corpo, e as vio na Livraria dos Religiosos Paulistas do Collegio de Evora Francisco Galvaõ Maldonado como affirma na Bib. Lusit. M. S. que vimos.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]