Fr. PEDRO MONTEIRO, naceo em Lisboa a 16 de Janeiro de 1662, onde teve por Pays a Pedro Gonçalves Cavalleiro professo da Ordem de S. Tiago, e Francisca Monteira. Quando contava 17 annos de idade abraçou o sagrado instituto da Illustrissima Ordem dos Prégadores em o Convento de S. Paulo de Almada a 16 de Abril de 1679, e professou solemnemente em o de Azeitaõ a 22 do dito mez do anno seguinte. Estudadas as Sciencias da Filosofia no Convento patrio, e a Theologia no Collegio de S. Thomaz de Coimbra sahio taõ eminentemente versado nellas, que sem demora passou de discipulo a Mestre dictando Artes na Universidade do Convento de Evora, onde regentou a Cadeira de Vespera de Theologia, da qual passou para Lente de Prima da Universidade do Real Convento da Batalha. Por ordem do Serenissimo Rey D. Pedro II. ensinou Theologia Moral em o Collegio de N. Senhora da Escada fundaçaõ da Serenissima Rainha D. Catherina mulher delRey D. Joaõ III. em cuja escola se instruem os Sacerdotes para Parocos de todo o Reino. Ultimamente ocupou a Cadeira de Prima em a Universidade do Convento de S. Domingos de Lisboa, onde recebeo o grao de Mestre, e Doutor em Theologia. No dilatado giro de vinte e quatro annos que dictou estas Faculdades se admiraraõ a nervosa efficacia, e profunda subtileza dos seus argumentos propostos nos mais famosos actos litterarios, como tambem a summa gravidade, e sublime agudeza com que sustentava na Cadeira a doutrina de seu Angelico Mestre. Igual aplauso conciliou no pulpito, prégando vinte annos continuos na augusta presença dos Serenissimos Reys D. Pedro II. e D. Joaõ V. Pelo grande talento que tinha para este sagrado ministerio o nomeou seu Prégador em 10 de Agosto de 1712 o Serenissimo Infante D. Francisco, e Examinador do Graõ Priorado do Crato por Alvará de 27 de Abril de 1716. Foy Examinador Synodal do Arcebispado de Lisboa, Qualificador do Santo Officio, e Academico Real dos primeiros sincoenta de que se formou a Academia da Historia Portugueza, no anno de 1721 para escrever a Historia da Inquisiçaõ deste Reino, e suas Conquistas, de cuja incumbencia deixou estimaveis documentos. Para fugir da ociosidade fecunda mãy de todos os vicios continuamente estava escrevendo, e muitas vezes com tanta aplicasaõ, que se esquecia do preciso alimento, como quem achava nos livros o mais delicioso pasto. Sendo consultado em materias gravissimas sempre o seu voto era ouvido com respeito, por ser fundado nas opinioens mais solidas, e timoratas. Concorrendo ao Capitulo Provincial intermedio, que se fazia no Real Convento da Batalha, foy acometido de hum acidente apopletico, que degenerando em erysipola maligna o privou da vida a 2 de Mayo de 1735, quando contava 73 annos de idade, e 56 de Religiaõ. Recitou na Academia Real o seu Panegyrico Funebre o P. Manoel de Campos da Companhia de Jesus Academico da Academia Real, e Confessor do Serenissimo Infante D. Antonio, onde com elegante fraze relatou a vida, e morte de taõ estimavel Collega. Compoz

Sermaõ do Desagravo de Christo Sacramentado na S. Sé desta Corte no 3. dia do solemne Triduo, que nella se celebrou na ocasiaõ do sacrilego desacato cometido contra o mesmo Senhor novamente na Villa de Setubal na Igreja dos Religiosos da Companhia de Jesus. Lisboa por Antonio Pedroso Galraõ 1715. 4.

Sermaõ nas Exequias do Excellentissimo Senhor Manoel Telles da Sylva I. Marquez de Alegrete, prégado na Igreja Parochial de N. S. do Socorro desta Corte de Lisboa em 13 de Outubro de 1703 (deve ser 1709) havendo fallecido em 13 de Setembro do mesmo anno. ibi pelo dito Impressor 1716 4.

Sermaõ nas Exequias annuaes do Serenissimo Senhor Rey de Portugal D. Manoel de saudosa memoria, celebradas na S. Casa da Misericordia de Lisboa. Ibi pelo dito Impressor. 1716. 4.

Sermaõ do Espirito Santo, prégado ao Tribunal da Justiça da Corte de Lisboa sendo seu Regedor o Illustrissimo e Reverendissimo Senhor D. Alvaro de Abranches Bispo de Leiria no Real Convento de S. Domingos na primeira Oitava da mesma Festa. ibi pelo dito Impressor 1717. 4.

Sermaõ das solemnes Exequias que os Irmãos do Senhor dos Passos do Real Convento de S. Domingos fieraõ pelas almas de seus Irmãos defuntos no 1. De Novembro de 1718. ibi pelo dito Impressor 1719. 4.

Sermaõ Historico, e Panegyrico em açaõ de graças a Deos N. S. pela felicissima eleiçaõ do SS. Padre Benedicto XIII. religioso professo da Ordem dos Prégadores no Convento de S. Domingos de Lisboa a 6 de Agosto de 1724. ibi pelo dito Impressor. 1724. 4.

Cathalogo dos Deputados do Conselho geral da S. Inquisiçaõ depois da sua renovaçaõ feita por Bulla do Summo Pontifice Paulo III. dada a 23 de Mayo de 1536, Governando este Reino o Serenissimo Rey D. Joaõ III. Lisboa por Pascoal da Sylva Impressor de S. Magestade, e da Academia Real. 1721. fol. Sahio no 1. Tom. da Collec. dos Docum. da Academ.

Noticia geral das Santas Inquisiçoens deste Reino, e suas Conquistas, Ministros, e Officiaes de que cada huma se compoem. Cathalogo dos Inquisidores, Deputados, Promotores, e Notarios que tem havido na de Evora, desde sua renovaçaõ até o presente. ibi pelo dito Impressor 1723. fol. Sahio no Tom. 3. Da Collec. dos Docum. da Acad.

Cathalogo dos Inquisidores, que tem havido na S. Inquisiçaõ desta Corte, desde sua renovaçaõ até o presente com o anno, e dia em que tomaraõ posse. Sahio no Tom. 3. da Collec. dos Docum. da Acad.

Cathalogo dos Deputados da mesma Inquisiçaõ. No Tom. 3. da Collec. dos Docum. da Acad.

Cathalogo dos Promotores, que tem havido nesta Inquisiçaõ. No Tom. 3. Da Collec. dos Docum. da Acad.

Cathalogo dos Notarios desta Inquisiçaõ. No dito Tom. 3.

Cathalogo de todos os Inquisidores de Coimbra desde sua renovaçaõ até o presente, com o anno, e dia em que tomaraõ posse.

Cathalogo dos Deputados da mesma Inquisiçaõ.

Cathalogo dos Promotores da mesma Inquisiçaõ.

Cathalogo dos Notarios da mesma Inquisiçaõ Todos estes quatro Cathalogos sahiraõ no 3. Tom. da Collec. dos Docum. da Acad. Real. Lisboa por Paschoal da Sylva 1723. fol.

Origem dos Revedores dos livros, e Qualificadores do S. Officio, com o Cathalogo dos que tem havido nas Inquisiçoens deste Reino. Lisboa por Pascoal da Sylva 1724. fol. Sahio no Tom. 4. da Collec. dos Docum. da Academ. Cathalogo dos Inquisidores que tem havido na Inquisiçaõ de Goa, até o presente.

Cathalogo dos Deputados que haõ servido nesta Inquisiçaõ de Goa.  Estes 3 Cathalogos sahiraõ no Tom. 4. da Collec. dos Docum. da Acad. Real.

Cathalogo dos Secretarios do Conselho geral que tambem saõ Escrivaens da Camara de S. Magestade, que tem havido atè o presente. Lisboa por Pascoal da Sylva 1725. fol. Sahio no Tom. 5. da Collec. dos Docum. da Acad. Real.

Claustro Dominicano lanço primeiro. Lisboa por Antonio Pedroso Galraõ 1729. 4. Comprehende a noticia dos Arcebispos, e Bispos que teve a Religiaõ de S. Domingos em Portugal, e suas Conquistas, e daquelles que se escusaraõ de taõ alta dignidade, como de outros que foraõ Confessores dos Reys Portuguezes, e outras Pessoas Reaes.

Claustro Dominicano, e lanço segundo. Trata de todos os Religiosos, que serviraõ ao Santo Officio, desde o tempo de S. Domingos até o presente, cuja noticia por estar impressa nos Cathalogos, que publicou nas Colleçoens da Academia Real o naõ publicou em 4.

Claustro Dominicano laço terceiro. Em que se contém os Lentes desta Ordem, que leraõ na Universidade de Coimbra; alguns Religiosos della que sendo Portuguezes, tambem foraõ Lentes publicos nas Universidades destes Reinos. Os que tomaraõ os graos de Mestres em Artes, Bachareis, Presentados, Doutores, e Mestres em Theologia nas desta Provincia, e Congregaçaõ da India, instituidas pelo Breve, e motu proprio do S. Pontifice Pio V. nos seus Conventos; os Escritores, que nella tem havido, e alguns Religiosos da mesma Provincia, que tiveraõ ocupaçoens graves na Corte de Roma. Lisboa por Antonio Pedroso Galraõ. 1734. 4.

Claustro Dominicano lanço quarto. Tratava dos Religiosos Portuguezes, que acabaraõ a vida em perigosas Missoens, como tambem servindo aos feridos da peste: dos Beatificados pela Igreja, e daquelles, que tem culto immemoriavel, e ultimamente daquelles que sacrificaraõ a vida nas aras do martyrio. Este Tomo deixou imperfeito.

Historia da S. Inquisiçaõ do Reino de Portugal, e suas Conquistas. Primeira Parte, da Origem das Santas Inquisiçoens da Christandade, e da Inquisiçaõ antiga, que houve neste Reino, com seus Inquisidores Geraes. Livro 1. em que mostra a Origem da S. Inquisiçaõ, e seu primeiro Inquisidor Geral, e Patriarca S. Domingos, e de como este impugnou a heresia dos Albigenses, de outras Inquisiçoens que fez, e Inquisidores da sua Ordem, que nomeou. Lisboa na Regia Officina Sylviana, e da Academia Real. 1749. 4. grande.

Historia da S. Inquisiçaõ, &c. Primeira Parte Livro 2. da S. Inquisiçaõ antiga que houve neste Reino, desde o Senhor Rey D. Affonso II. até o governo do Senhor Rey D. Joaõ III. e nos mais de Hespanha até o delRey Catholico D. Fernando, e dos Concilios geraes, Scysmas, e heresias, que por estes tempos houveraõ na Igreja. ibi na mesma Officina 1750. 4. grande.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]