D. Fr. PEDRO PACHECO, natural de Lisboa, e parente do grande Duarte Pacheco, que com suas heroicas acçoens illustrou o berço do Sol. Professou o sagrado instituto da Ordem preclarissima de S. Domingos, donde passando á India aprendeo as Sciencias escolasticas no Collegio de Santo Thomaz de Goa, e depois de alcançar o lugar de Presentado por titulo de Prégador, assistio muitos annos com o ministerio de Vigario de huma das Igrejas que á Ordem Dominicana estaõ cometidas em os rios de Sena. Restituido ao Reino depois de ser morador no Convento de S. Paulo de Almada, voltou segunda vez á India com o lugar de Vigario Geral daquella Congregaçaõ. Passados seis mezes arribou a nao em que hia embarcado ao porto de Lisboa, e sendo informado o Serenissimo Rey D. Pedro II. do fruto que fizera em os navegantes o nomeou Bispo de Cochim, em cuja dignidade foy confirmado por Innocencio XII. a 4 de Janeiro de 1694. Sagrado em o Convento de S. Domingos embarcou terceira vez para a India, onde se distinguio em o zelo da conversaõ das almas principalmente, quando governou o Arcebispado de Goa por morte do seu Arcebispo D. Fr. Agostinho da Annunciaçaõ. Falleceo em o Convento de Goa no anno de 1713. Compoz

Discurso sobre a sentença Tudo, e nada diz quem diz Amigo. Lisboa por Miguel Deslandes. 1685. 4. Dedicado ao Inquisidor Geral D. Verissimo de Lancastro. O discurso he ornado de erudiçaõ sagrada, e profana.

Quatro Sermoens prégados nas quatro partes do mundo a que se extende o dominio Portuguez. Dedicados a Francisco de Tavora Conde de Alvor. Desta obra o faz Author Fr. Pedro Monteiro Claustr. Domin. Tom. 3. p. 306. dizendo que se imprimiraõ, e me parece que se enganou. Fazem delle memoria o dito Monteiro Claustr. Domin. Tom. 1. p. 74. e Tom. 3. p. 97. e 106. Fr. Joaõ Miguel Gallaria Tom. 1. p. 689. n. 60. e Marangoni Thesaur. Paroch. Tom. 2. p. 118.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]