AFFONSO DE ALCALA, E HERRERA oriundo de Castella, mas nescido em Lisboa a 12 de Setembro de 1599 de Pays nobres naturaes de Toledo, quaes foraõ Joseph de Alcalá, e Herrera, e D. Ignez de Robles. Foy sciente nas línguas Latina, Castelhana, Italiana, e Portugueza. Desde a primeira idade se aplicou á lição das letras humanas, e da Poesia, cujo estudo cultivou até á velhice. Ainda que a mayor parte da vida passou recolhido em casa resolvendo os Livros, em que unicamente achava divertimento, era sumamente agradável, e urbano para todos aquelles, que familiarmente o tratavaõ. Foy dotado de grande engenhi, de summa piedade para com Deos, e de cordial devação a Maria Santissima, como testemunhaõ muitas das suas composiloens. As virtudes Christaãs, que exercitou toda a vida, e conservou no estado do Celibato, em que viveo, o dispuzeraõ para acabar com morte placida em Lisboa a 21 de Novembro de 1682 com mais de 83 annos de idade. Foy sepultao na Igreja de N. Senhora dos Remedios dos Carmelitas Descalsos, no jazigo dos seus Mayores, quem tem este epitáfio: Sepultura de Affonso de Robles, e seus herdeiros. Compoz: Varios effectos de amor en cinco novellas exemplares, y nuevo artificio para escribir prosa, y verso sin una de las letras vocales excluyendo Vocal diferente en cada novela. Lisboa por Manoel da Sylva, 1641, 8 e libi por Franc. Villela., 1671, 8. Jardim anagramático de divinas flores Lusitanas, Espanholas, e Latinas, em o qual se contão 683 Anagramas, e seis Hymnos Chronologicos. Lisboa na Officin.Craesbeck., 1654, 4. Ao insigne, V. P. Fr. Antonio da Conceição da Ordem da Santissima Trindade seis Anagramas, três na língua Latina, e três na Lusitana. Sahirão impressos na Fama Posthum deste V. P. composta por Frey Antonio Correa, Lisboa por Henrique Valente de Oliveira, 1658, 4. Psalterium Quadruplex Anagrammaticum, Angelicum, Immaculatum, Marianum Deiparae dicatum sexcenta Latina Anagrammata complectens. Ulyssip, apud Ant. Craesbeck de Mello Ser. Inf. Typ., 1664, 12. Corona, y Ramillete de flores salutíferas, antidoto del alma, consuelo de afligidos, y desengaño del mundo, devotíssimas glossas, Poesia Sacra, y divinas meditaciones de la Passion, y Muerte de Christo, Soledad de la Virgen, y postremerias del hombre por las horas Canonicas. Lisboa por Domingos Carneiro, 1677, 8. À Sagrada Imagem da Virgem do Pilar Mãy Santissima Madre de Deos, Salve Raynha glossada. Lisboa pelo mesmo Ipressor, 1678, 4. Meditaliens de Santa Brisida traduzidas de Latim em Portuguez, Lisboa por João Galrão, 168, 24. Novo modo curioso, tratado, e artificio de escrever, assim ao divino, como ao humano com huma vogal somente, excluindo as quatro vogaes. 1 e 2 Part. Lisboa por Francisco Villela, 1679, 8. Tinha prompto para a impressão hum livro intitulado Color de Colores do qual o P. Francisco da Cruz da Companhia de Jesus nas suas Memor para a Bib. Portugueza, que era das mais insignes obras, que escrevera. Compoz muitas Poezias, de que algumas se imprimirão sendo huma em lisgua Castelhana, que está inserta no livro: Avisos para la muerte. Lisboa por Domingos Carneiro, 1650, 24. Na Bibliotheca do Eminentissimo Cardial de Sousa se conserva hum volume de folha M. S. que contem as obras seguintes traduzidas de Italiano em Castelhano: Las cien dudas amorosas de Jeronymo Vida. La famosíssima Compañia de la Lesina. Astucias de Bertolo, y simplicidades de Bertoldino composta por Julis Cesar Cruz, 1666. Na mesma Bibliotheca estava a seguinte obra deste author: Templo de amor, y mineral riquíssimo de varias, y escogidas Poezias, elegantes prosas, sentencias, y curiosidades. Dous Tom em 4. Parte desta obra era sua, e parte transcripta de outros Authores. Hypolit. Marrac. in append. Biblioth. Marian. lhe chama vir pietate, atque doctrina clarus, e Joaõ Soar. De Brit. In Theat. Lusit. Litter. Vir ingenio, studioque non omninó vulgari; O Reverendissimo P. Antonio dos Reys in Enthusiasm. Poet. Impresso no principio dos seus Epigram. N. 183, faz delle momeria entre os Poetas Portuguezes, e a Magn. Bib. Ecclesiast., pag. 232, col 1.

 

[Bibliotheca Lusitana, Historica, Critica e Chronologica, vol. 1]

 

AFFONSO DE ALCALÁ E HERRERA, portuguez, mas oriundo de Castella, n. em Lisboa a 12 de Setembro de 1599, e ahi faleceu a 21 de Novembro de 1682. Não consta que exercitasse officio, ou emprego publico, talvez porque de seus paes herdou com que passar a vida independentemente. – E.

37) Jardim Anagrammatico de Divinas Flores Lusitanas, Hespanholas e Latinas. Contém seiscentos oitenta e tres anagrammas em prosa e verso, e seis hymnos chronologicos. Lisboa, na Off. Craesbeeckiana 1654. 4.º de XXVIII‑277 pag., tendo alem do rosto impresso, um frontispicio gravado a buril pelo artista portuguez João Baptista.

Foi a primeira obra d’este genero que se publicou, não só em Portugal, mas em toda a Hespanha, como affirma o proprio auctor na noticia que lhe antepoz. Sem que pretenda justificar aqui estes abusos do ingenho, que o gosto do seculo seguinte condemnou, e baniu da republica das letras, parece‑me todavia que poucos deixarão de admirar a destreza e curiosidade com que á custa de fina industria e intrincado trabalho se levavam ao cabo taes composições, vencendo difficuldades muitas vezes reputadas insuperaveis. Os exemplares do Jardim, que apparecem no mercado, valem ordinariamente de 300 a 480 réis.

38) Á sagrada Imagem da Virgem do Pilar Mãe Santissima Madre de Deus, Salve Rainha glosada. Lisboa, por Domingos Carneiro 1678. 4.º.

39) Novo modo curioso, tractado e artificio de escrever… com uma vogal sómente, excluindo as outras quatro. Lisboa, por Francisco Villela 1679. 8.º Parte I e II.

40) Varios effectos de Amor en cinco Novellas exemplares, y nuevo artificio de escrivir prosas y versos sin una de las cinco letras vocales. Lisboa, por Manuel da Silva 1641. 8.º de XVI‑140 folhas numeradas só na frente. Ibi, por Francisco Villela 1671. 8.º Posto que escriptas em castelhano, menciono aqui estas novellas para lembrar que não houve novidade alguma da parte de certo escriptor que já no seculo presente deu á luz outro similhante trabalho em portuguez, inculcando‑o como original e sem exemplo.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]