ABRAHAM PIMENTEL floreceo conforme Wolfio in Biblioth Hebrae, pag. 97 n 134, no meyo do Seculo decimo setimo. Foy não somente abservante professor das cerimonias, e ritos judaicos, mas profundamente douto na intelligencia dos seus mysterios, como manifestão as obras seguintes:

Oblatio Sacerdotis ex Levirm cap. 6 v. 16 consta esta obra em três livros.

Occasus Solis ex Deutor, cap. II v. 30 onde trata dos ritos que devem observar os Judeos desde o nascimento da Aurora até o Accaso do Sol.

Liber Sponsionum. Neste livro allude ao Livr. 2 Reg. Cap. 14 v 14 em que trata das couzas licitas e ilícitas.

Observatio Sabbati, consta das ceremonias, que se praticão em os Sabbados. Amstelod na Cread 5428 Christi 1668, 4.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. I]

 

ABRAHAM PIMENTEL, oriundo de Portugal, e mestre dos judeus portuguezes na synagoga de Amsterdam, onde florecia na segunda metade do seculo XVII. – E.

6) Questões e discursos academicos, que compoz e recitou na illustre Academia Kether Thorá, e juntamente alguns sermões. Anno 5448 (de Christo 1688.) 4.º – É dedicada a Isaac Nunes Henriques, e contém trinta discursos, ou dissertações, e seis orações. Sahiu sem nota do logar da impressão. Alguns conjecturam com fundamento que seria impressa em Hamburgo.

Tudo o que aqui se diz é reportado ás informações dadas por Antonio Ribeiro dos Sanctos, pois não tenho noticia da existencia de algum exemplar d’este livro em local conhecido.

É para notar, que esta obra escapou ás indagações de Barbosa, que não fez d’ella menção, fazendo‑a de outras que este auctor compozera em varias linguas.

Tanto esta, como as demais obras de judeus portuguezes, que ficam descriptas nos artigos precedentes, e outras que adiante mencionaremos, estampadas, como se vê, fóra de Portugal e em paizes protestantes, são para nós livros de extrema raridade; e por isso muito estimados, pagando‑se os exemplares, quando apparecem casualmente no mercado, por preços mui elevados, e até exorbitantes, considerados com respeito ao valor e merito intrinseco de taes obras, que às vezes é bem diminuto.

É visivel que esta raridade provém, mais que de qualquer outra causa, da nimia e vigilante severidade com que o Tribunal da Inquisição fiscalisava por seus ministros a introducção no reino dos livros estrangeiros em geral, mas sobre tudo d’aquelles que, escriptos em linguagem vulgar por homens da raça proscripta, e versando pela maior parte sobre assumptos de doutrina theologica, ou de obrigações rituaes, eram por isso mesmo julgados mais perigosos á verdadeira fé, e como taes inexhoravelmente votados á destruição. O que mais admira é, que ainda apesar de tanto rigor e diligencia alguns lograssem a introducção: mas por cada exemplar que escapasse, quantos não seriam apprehendidos e aniquilados, já no acto da entrada pelas vias maritima ou terrestre, já por occasião das buscas domiciliarias e do confisco a que se procedia irremissivelmente nas casas dos christãos-novos, quando estes eram arrastados para os carceres do tremendo Tribunal! Maravilha na verdade o vêr como foi possivel subtrahir a tão rigorosas pesquizas esses poucos, que ainda chegaram até nós: dos quaes alguns, tornando‑se mais raros de dia para dia, em razão das causas ordinarias que promovem a sua deterioração successiva, hão de finalmente desapparecer de todo, deixando apenas a memoria da sua existencia.

 

[Diccionario bibliographico portuguez, tomo 1]