D. RODRIGO DA CUNHA. Naceo em a Cidade de Lisboa no mez de Setembro de 1577 para immortal credito de seus illustres Progenitores D. Pedro da Cunha, Senhor de Taboa, Comendador de S. Martinho de Dormes em a Ordem de Christo, General das galés do Reino, e das Costas do Algarve, Conselheiro de Estado, e Dona Maria da Sylva sua segunda consorte, filha de Ruy Pereira da Sylva, Alcaide mór de Sylves, Senhor do Morgado de Monchique, Guarda mór do Principe D. Joaõ Pay do suspirado Monarca D. Sebastiaõ, e de D. Isabel da Sylva. Depois de estudar no Collegio patrio dos Padres Jesuitas a lingoa Latina, e letras humanas em que manifestou a viveza da sua comprehensaõ passou a Coimbra, onde ouvio os preceitos da Rhetorica explicados pelo P. Diogo Monteiro da Companhia de Jesus, a quem o proprio desengano constituhio Oraculo da Theologia Ascetica. Admitido por Porcionista do Real Collegio de S. Paulo a 11 de Abril de 1600 se aplicou á Jurisprudencia Canonica, em que recebeo as insignias doutoraes, sendo padrinho desta funçaõ litteraria seu Primo com irmaõ o memoravel D. André de Almada, Lente de Vespera, de Theologia na Academia Conimbricense. Eleito Deputado do S. Officio de Lisboa a 6 de Agosto de 1608, passou a ser Inquisidor na mesma Cidade a 9 de Fevereiro de 1615. Para digno premio dos seus merecimentos o nomeou Filippe III. Bispo de Portalegre, em cuja dignidade foy sagrado a 8 de Novembro de 1615, e a 15 de Fevereiro do anno seguinte fez a sua entrada publica naquella Cidade, onde igualmente attendeo ao culto divino, como á reforma dos costumes, e socorro dos necessitados. Desta Cathedral foy transferido para a do Porto, onde entrou a 14 de Abril de 1619, e passando logo por ordem Real a Lisboa, assistio como Secretario da Junta Ecclesiastica nas Cortes celebradas a 14, e 18 do dito anno, em que foy jurado sucessor da Coroa Portugueza o Principe D. Filippe, que depois foy Rey, e IV. deste nome. Promovido da Mitra de Braga para a de Lisboa D. Affonso Furtado de Mendoça, subio no anno de 1626 a ocupar aquella Primacial Cadeira, da qual tomando posse cõ publica entrada a 10 de Junho de 1627 foy recebido pelos Cidadoens daquella antiquissima Metropoli com tantos argumentos de jubilo, que ocuparaõ o largo espaço de oito dias. Entre as acçoens memoraveis que obrou no tempo, que possuhio esta dignidade mereceo particular elogio o passar tres vezes á Villa de Vianna, onde convertendo o Bago em Bastaõ dispoz o modo, para que esta Praça rebatesse os insultos da Armada Ingleza se intentasse algum desembarque no seu Porto. Vaga a Cadeira Archiepiscopal de Lisboa por morte de D. Joaõ Manoel, foy nella provido no anno de 1635 com os honorificos lugares de Conselheiro de Estado, e de Adjunto á Princeza de Mantua Governadora do Reino para assistir ao despacho ordinario. Em 10 de Agosto de 1636, fez a entrada acompanhado de todo o Clero Secular, e Regular, e da Nobreza, e Senado da Cidade com tantas demonstraçoens de jubilo, que eraõ evidentes prognosticos do suave governo de taõ benigno Pastor. Com heroica liberdade impedio a imposiçaõ dos tributos, com que os Ministros Castelhanos dispunhaõ a infraçaõ dos foros, e privilegios dos Portuguezes, e como se vissem frustrados os seus intentos em Lisboa pertenderaõ conseguillos em Madrid, para cujo fim foraõ chamados a esta Corte varios Prelados, e Cavalheros de primeira grandeza, entre os quaes foy Dom Rodrigo da Cunha partindo a 16 de Mayo de 1638. A mudança do clima naõ lhe alterou a fidelidade do coraçaõ, antes armado de heroica constancia defendeo a liberdade da sua patria, desprezando a honorifica offerta do Capello de Cardeal com que Castella o queria sobornar. Restituido a Lisboa com immortal gloria do seu nome por ter preferido a antonomazia de Pay da Patria á magestade da Purpura Romana, foy recebido a 21 de Mayo de 1639 na Capital da sua Diocese com sinceros jubilos do seu rebanho saudoso da sua amavel presença. Celebrou Synodo Diocesano na Cathedral a 30 de Mayo de 1640, e nelle se estabeleceraõ as Constituiçoens por onde presentemente se governa o Patriarcado de Lisboa. Como do seu prudente conselho dependeo a grande parte da Aclamaçaõ do Serenissimo Rey D. Joaõ IV., querendo testemunhar publicamente a sua fidelidade, sahio em taõ fausto dia da Cathedral em procissaõ, para pacificar algum tumulto, que podia excitar a repentina novidade daquelle sucesso, merecendo por esta acçaõ ser eleito Governador do Reino, em quanto naõ chegava de Villa-Viçosa á Corte o novo Rey aclamado. No Auto do Juramento deste Principe celebrado em 15 de Dezembro de 1640, assistio com outros Prelados, sendo o primeiro que em 28 de Janeiro do anno seguinte ratificou o Juramento, que os Tres Estados do Reino fizeraõ ao mesmo Monarca, e a seu filho o Principe D. Theodozio. Todas as virtudes moraes, e politicas que constituem hum Varaõ perfeito, possuio em grao eminente. Subio ás mayores dignidades pelos degraos dos seus merecimentos naõ concorrendo o favor alheyo para as conseguir, e muito menos a ambiçaõ propria para as pertencer. Desde a primeira idade até a ultima conservou illeza a flor da Castidade com tanta exaçaõ, que dizendo-se na sua presença alguma palavra menos modesta a reprehendia mudamente com os finaes do pejo, que no rosto descubria. Muitas noites passava vigilante distribuindo as suas horas entre a Oraçaõ mental, e a liçaõ dos livros. Para reduzir o corpo ás leys do espirito intentava diversas mortificaçoens, jejuando todas as sextas feiras, e Sabbados, e disciplinando-se com tanto rigor, que o sangue revelava o segredo que queria se conservasse nas suas penitencias. Foy extremoso na charidade, distribuindo com igual profuzaõ as esmolas publicas, e particulares sendo estas com tal recato, que remediava a necessidade sem conhecer o socorrido. Para dispender com mayor largueza em beneficio dos pobres usava de meza parca, baixella de barro grosseiro, e familia pouco numerosa. Superior a toda a fortuna nem se alegrava com os sucessos prosperos, nem se entrestecia com os infelices. Com apostolica liberdade defendeo a immunidade Ecclesiastica, as perrogativas da sua Igreja, e a authoridade do seu caracter contra as fortes, e violentas oposiçoens de Castella. Coroado de tantas virtudes chegou o dia de serem eternamente premiadas, o qual foy o de 3 de Janeiro de 1643 ás des horas da manhã, em que piamente falleceo, quando contava 65 annos de idade. Foy universalmente sentida a sua morte por ser dos Fidalgos Conselheiro, dos Ecclesiasticos exemplar, do Povo Protector, e da Patria Pay. Sepultado na Capella mór da Cathedral lhe dedicaraõ saudosas Exequias os Religiosos Carmelitas, e Agostinhos sendo Oradores o Mestre Fr. Nuno Viegas, e o Mestre Fr. Antonio da Natividade, cujos Panegyricos se imprimiraõ no mesmo anno em que foraõ recitados. Passados 59 annos que jaziaõ as cinzas deste illustre Prelado na Capella mór da Sé foraõ tresladadas no anno de 1702, como elle tinha ordenado, para a porta travessa da mesma Sé chamada a Porta do Ferro por D. Pedro Alvares da Cunha Trinchante mór de Sua Magestade Sobrinho do mesmo Arcebispo por ser Neto de seu irmaõ D. Lourenço da Cunha. Prégou nesta funçaõ o Padre Antonio de Saõ Carlos Conego da Congregaçaõ do Evangelista, e sobre a campa se gravou o seguinte Epitafio.

  1. Rodrigo da Cunha

Pay da Patria

Collega do Collegio Real,

Escritor insigne,

Inquisidor

Bispo de Portalegre, e do Porto

Arcebispo Primaz, e de Lisboa

Cardeal nomeado,

Que naõ aceitou por libertar a Patria

Governador do Reino

Conselheiro de Estado

Falleceo em 3 de Janeiro de 1643

De idade de 65 annos.

Tresladou-se anno 1702 por D. Pedro

Alvares da Cunha Trinchante mór de

Sua Magestade. Pede-se hum Padre

nosso, e huma Ave Maria.

A profunda sciencia da sagrada Theologia, Jurisprudencia Canonica, como da Historia Ecclesiastica, e Secular do nosso Reino, e da mais principal parte della a Genealogia deixou eternamente estampada nas laboriosas produçoens da sua penna, onde se admiraõ felizmente unidos taõ diversos estudos para instruçaõ dos professores de varias Faculdades, cujo Cathalogo disposto por ordem Chronologica he o seguinte.

De Confessariis solicitantibus Tractatus. Benaventi apud Matthaeum Donatum 1611. 4. Sahio addicionado por Fr. Serafino de Freitas Religioso Mercenario professor dos sagrados Canones em a Universidade de Valhadolid de quem se fará larga mençaõ em seu lugar. Vallisoleti 1620. 4. & Pinciae. 1632 . 4. mais difusamente pelo mesmo Serafino de Freitas.

Explicaçaõ dos Jubileos. Coimbra por Nicolao Carvalho Impressor da Universidade. 1620. 4. Dedicada por seu Illustrissimo Author ao Marquez de Alanquer Duque de Francavilla a cujo obzequio respondeo com estas agradecidas expressoens. Vulgar chama V. S. o livro que me derige, em nenhuma cousa tratada por V. S. o pode ser, singular sim, como foy a merce, que nisto me faz, a qual nem ainda por Jubileo cuidei merecer. O que o livro leva, e me fica he querer V. S. fazer-me grande na opiniaõ de todos com que se confirma que V. S. com os humildes mostra mayor grandeza. Guarde Deos a V. S. como dezejo. Lisboa 5 de Agosto de 1620. O Marquez de Alanquer, Duque de Francavilla. Este Tratado que sahio em Madrid traduzido em Castelhano o compoz sendo Bispo de Portalegre por ocaziaõ de hum Jubileo publicado por Paulo V. em o anno de 1619. Augmentou-o quando era Bispo do Porto por cauza de outro Jubileo concedido por Gregorio XV. no anno de 1621, e sahio. Porto por Joaõ Rodrigues 1622. 4. O Padre Paulo de Santo Hilario Jesuita o traduzio na lingoa Franceza, e na Latina os Mestres do Collegio de Santo Antaõ de Lisboa.

Cathalogo, e Historia dos Bispos do Porto. Porto por Joaõ Rodriguez 1623. fol. Obra illustre, e digna de seu Author lhe chama Manoel Severim de Faria celebre antiquario Disc. Var. p. 164.

Super primam Partem Decreti Gratiani Commentarii. Bracharae apud Joannem Rodrigues 1629. fol.

De primatu Bracharensis Ecclesiae ibi apud eumdem Typog. 1632. fol.

Breviarium Bracharense à D. Roderico à Cunha Archipraesule, & Domino Bracharae Hispaniarum Primate recognitum. Bracharae Augustae ex Officina Viduae, & filii Nicolai Carvalho Univ. Conimb. Typog. 1634. 4. Na reforma deste Breviario trabalhou com alguns Capitulares doutos pelo espaço de dous annos como testifica na Hist. Eccles. de Braga. Part. 2. cap. 106. n. 7.

Historia Ecclesiastica de Braga com as vidas dos seus Arcebispos, e Varoens Santos, e eminentes do Arcebispado. Parte primeira. Braga por Manoel Cardoso 1634. fol.

Historia Ecclesiastica de Braga &c. Parte 2. Ibi pelo dito Impressor 1635. fol.

Historia Ecclesiastica da Igreja de Lisboa, Vida, e açoens de seus Prelados, e Varoens eminentes em santidade, que nella floreceraõ Parte 1. Lisboa por Manoel da Sylva 1642. fol. Fr. Antonio da Purificaçaõ Chron. da Prov. de Portug. de Santo Agostinho. Part. 2. liv. 5. Tit. 3. §. 9. sem outro fundamento mais que a sua fantezia naõ admite esta obra como legitima produçaõ do Illustrissimo Cunha talvez por achar dissipadas algumas chimeras com que pertendeo estabelecer a antiguidade da sua Religiaõ neste Reino.

Chronicas dos Reys D. Joaõ I, D. Duarte, e D. Affonso V. Compostas por Duarte Nunes de Leaõ. Lisboa por Antonio Alvares Impressor delRey 1643. fol. Sahiraõ por ordem sua.

Constituiçoens do Arcebispado de Lisboa. Lisboa por Paulo Crasbeeck. 1646. fol. Sahiraõ posthumas por ordem do Deaõ, e Cabbido sede vacante.

Obras M. S.

Super secundam partem Decreti Gratiani Commentarii. Tomus secundus. Estava prompto para a impressaõ como elle affirma na Hist. Eccles. de Braga. Part. 2. cap. 106. n. 7.

Historia Ecclesiastica da Igreja de Lisboa. Part. 2. Addicionou esta obra seu sobrinho D. Antonio Alvares da Cunha Senhor de Taboa, Trinchante mór dos Reys  D. Affonso VI, e D. Pedro II. Deputado da Junta dos Tres Estados, Guarda mór da Torre do Tombo, e Secretario da Academia dos Generosos de quem largamente se fez mençaõ em seu lugar, e a mostrou ja acabada pela sua maõ ao Padre D. Manoel Caetano de Sousa, como escreveo no Cathalogo Historico dos Summos Pontif. Cardiaes, e Bispos Portuguezes. p. 65, e a deu ao Emminentissimo Cardial de Sousa, em cuja Livraria se conserva com outros preciosos M. S.

Nobiliario das Familias deste Reino. fol. Desta obra fazem mençaõ Nicolao Antonio Bib. Hisp. Tom. 2. p. 669. col. 1. Franckenau Bib. Hisp. Gen. Herald. p. 377. e o Padre D. Antonio Caetano de Sousa Aparat. á Hist. Gen. da Cas. Real Portug. p. 89. §. 82. Huma copia deste Nobiliario conservava em seu poder D. Jeronymo Mascarenhas Bispo de Segovia, como affirma D. Antonio Soares de Alarcaõ Relac. Gen. de los Marquez. do Trocifal. p. 83. col. 2. á margem.

Livro de Armaria. fol. Conservava-se na Livraria de D. Antonio Alvares da Cunha. Innumeraveis foraõ os Escritores que com diversos elogios celebraraõ o nome deste insigne Prelado, sendo ainda que grandes sempre inferiores ao seu incomparavel merecimento D. August. Barbosa de Potest. Episcop. in Prolog. ad Formular. Episcop. cujus admirer ne magis humanitatem nobilitati conjunctam, an omnium scientiarum scientiam, & rerum variarum cognitionem nescio. & ibi Part. 2. Alleg. 40. n. 42. hac nostra aetate inter caeteros litteris, & prudentia clarissimus, eruditione singulari, & acerrimo judicio ornatissimus. Phaeb. Decis. Tom. 1. Decis. 25. n. 3. doctissimum, & illustrissimum Praesulem. Mendes Sylva Cathal. Real de Espan. pag. 55. vers. Cuya eloquencia natural, rectitud suavissima de custumbres, conocimiento singular de las divinas letras y luzimiento en las humanas venera nuestra edad. Birago Istoria de Portugalo liv. 2. p. 158. Vero Padre de la Patria; e pag. 159. Un Prelato di tanta authoritá, lettere, nobilità, vita integerrima, e sin della fanciulleza di Santissimi custumi. Fr. Daniel à Virg. Maria Specul. Carmelit. Part. 3. lib. 3. n. 3174. doctissimus & illustrissimus Praesul. Moreira Theatr. Gen. de la Cas. de Sous. p. 823. Uno de los mas insignes Varones en sangre, letras, y virtud, que para ornamento de Portugal produxo a quel siglo. Macedo Lusit. Infulat. pag. 59 nominis celebritate, & librorum varietate, ac multitudine clarissimus. D. Franc. Manoel Cart. 1. da Cent. 4. das suas Cartas. Sabio em todas as Faculdades. Joan. Soar. de Brito Theatr. Lusit. Litter. lit. B. n. 6. Vir ingenio candidissimo, & eruditione magna. Langle de Fresnoy Trait. Historiq., & dogmat. du Secret. de la Conf. p. 113. celebre Ecrivain. P. Emman. Lud. vita Princip. Theodosii lib. 1. cap. 7. n. 55. Erat is ob illustrissimae prosapiae claritudinem, ob sapientiae, caeterarumque virtutem commendationem, maximeque ob eximium, ac nulli non exploratum erga patriam affectum, & universae plebi, & primariae nobilitati ex ipsius nutu pendentibus longe omnium aceptissimus. & lib. 3. cap. 5. n. 42. vir nostri, nec aevi, nec moris, sed prisci unus inter primores Lusitaniae libertatis assertores, quod caput est, maximorum virtutum commendatione celeberrimus. Abreu Vida de Santa Quiteria. cap. 2. pag. 16. Luz, e esplendor dos Prelados deste seculo, honra, e credito das letras dos prezentes, e futuros. e cap. 20. pag. 227. Illustrissimo Primaz, e insigne Escritor. Ant. de Sousa de Macedo Lusit. Liber. lib. 3. cap. 1. n. 9. Cujus scientiam ostendunt impressa volumina, & Christianas virtutes, testatur modestia qua seculares comtempsit honores oblatos a Rege Castelano. e na Eva, e Ave. Part. 1. cap. 18. n. 10. Varaõ illustre por sangue, virtudes, e letras. & ibi cap. 24. n. 3. Illustrissimo por muitos titulos. Dian. in Ind. Author. praefixo Primae Part. Resol. Moral. vir doctissimus. Fr. Franc. de Santo Aug. Macedo Collat. in 3. Part. Collat. 2. differ. 2. cap. 5. pag. 629. insignis, &illustris author tota Europa notissimus, e no Propug. Lusit. Gallic. pag. 208. Spectabilis Heros, praecipus hujusce Regni Lusitani recuperationis impulsor, & author extitit. Fr. Rafael de Jesus Mon. Lusit. Part. 7. liv. 6. cap. 8. Varaõ taõ grande, taõ claro, taõ douto, e taõ inteiro que nunca o póde corromper toda a deligencia Castelhana. Valasco Perfid. de Alemanha liv. 2. cap. 5. Art. 6. heroico en virtudes, eminente en letras, illustre en sangre. Themudo Decis. Part. Decis. 20. n. 1. morte immatura, totius urbis maestitia, regni, ac Regis dolore communi publicae salutis jactura è vivis ereptus. Salazar e Castro Hist. Geneal. de la Casa de Sylva. Part. 2. liu. 8. cap. 18. Uno de los mayores Prelados que en valor, y en letras hà conocido nuestro siglo. Marinho Fundac. de Lisboa liv. 3. cap. 14. com sua deligencia, e liçaõ de todas as boas letras, e antiguidades resucitou muitas, que o tempo tinha sepultado. Purif. Chronic. da Prov. de Santo Agostinho de Portug. liv. 1. Part. 1. Tit. 9. §. 1. Insigne Primaz. & liv. 3. Tit. 5. §. 2. doutissimo Arcebispo. Guerreiro Coroa de Soldad. Part. 1. cap. 5. Para pòr a Coroa á grandeza de suas obras Pontificias assim se portou em tirar á luz os Varoens illustres das suas Igrejas, como se em as governar naõ tivera outro cuidado. Franckenau Bib. Hisp. Gen. Herald. pag. 377. Strenuus Brigantinae domus assecla, &propugil. Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 2. p. 212. col. 2. doctus, &diligens domesticarum rerum investigator. Barbosa Mem. do Colleg. Real de S. Paulo. p. 267. huma das mayores luzes do Collegio Real. Sousa Cathal. Hist. dos Sum. Pontif. Card. e Bisp. Portug. p. 61. Pelas virtudes obrou acçoens dignas de se escreverem, pelas letras escreveo obras dignissimas de se lerem. Barbosa Fast. da antig. e nova Lusit. Tom. 1. p. 44. Grande Prelado, e doutissimo Escritor. A estes elogios historicos correspondem aclamaçoens metricas. O insigne Lopo da Vega Carpio Laurel de Apolo Sylv. 2.

Con tu nombre Illustrissimo Rodrigo

Primeiro Archipastor de Lusitania

Real Acuña, cuyos rayos sigo,

Dulce Mecenas de mi rude Vrania

Sin Amadores sin Ozorios fuera

Tu ingenio Sol,Y Portugal su esfera.

O mesmo na Dedicatoria que fez da Isagoge a los reales estudios de la Cõpania de Jesus.

Tu Rodrigo Illustrissimo tu solo

De mis Musas Apollo

Primero Archimandrita Lusitano

Oye mis versos con semblante humano,

Pues tantas vezes a mi Lyra atento

Humillaste tu claro entendimiento

Honrando de mi pluma la baxeza

La dignidad real de tu grandeza;

Que a ti se deve por tan altas partes

Este compendio de admirables artes.

Tu honor de los Acuñas, tu gloria

De aquel blazon, q a la immortal memoria

De letras, y armas diò tantos laureles;

Inspirame el espirito que sueles:

Tu siempre mi Mecenas

A rusticas avenas

Agora al assunto grave

En cuyo immenso circulo de sciencia

Serà mi ingenio indivisible punto,

Si tu que la mayor circunferencia

Llenas de humanas letras y divinas

Admites impressiones peregrinas.

Manoel Thomaz Fenix da Lusitania. liv.2. Estant. 9.

Remate por retrato da Prudencia

Das letras mais insignes graõ thesouro

Dos Prelados com digna preheminencia

Apollo coroado em verde louro.

D.Rodrigo da Cunha na sciencia

Illustrando com honra os bagos de ouro:

A quem confirma o Reino Lusitano

Christo na Cruz co braço soberano.

Barbosa Archiath. Lusitan. pag. 78.

Nunc Rodericus adest magnorum splendor avorum

Vasconia illustres celebris quos preferet Orbi. & pag. 80.

Urbs tamen illa potens rapido quam flumine cingit

Aurifer ille Tagus tanto sub Praesule gaudens

Aurea conspiciet renovari saecula mundo.

Consiliis servata suis Respublica damna

Effugiet, quae certa parant surgentia bella.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]