Aarão Leal de Carvalho Reis – Filho do doutor Fabio Alexandrino de Carvalho Reis, de quem farei menção no logar competente, e de doua Anna Leal de Carvalho Reis, nasceu a 6 de maio de 1853 na capital da provincia do Pará, onde seu pae exercia o cargo de inspector da alfandega.

Matriculando-se na escola central em 1869, concluiu o curso de engenheiro

geographo em 1812, o de engenheiro civil em 1814, e recebeu o grau de bacharel em sciencias physicas e mathematicas, já tendo antes exercido o magisterio como lente de mathematicas elementares em diversos collegios.

Em 1873, antes de bacharelar-se, entrou como praticante para a direcção das obras publicas da alfandega; em 1875, apenas formado, foi nomeado para fiscalizar as obras do novo matadouro da córte, onde sustentou uma luta incessante com os empreiteiros que procuravam combater as clausulas firmadas com o governo, commissão que exerceu até ser rescindido o contrato, em novembro de 1878; em 1879 fez parte da commissão, que, sob a presidencia do conselheiro Christiano Ottoni, deu parecer sobre a rescisão do contrato e avaliou as obras feitas e por fazer no novo matadouro, dirigindo o serviço das obras feitas; e depois, como engenheiro gerente, incorporou a companhia ferro-carril de Cachamby, que conseguiu montar em oito mezes, construindo os primeiros dous kilometros de via ferrea, regulamentando e iniciando o trafego.

Ultimamente, em 1880, tomou parte no concurso às vagas da segunda secção do curso de engenharia civil da escola polytechnica, sendo habilitado para o provimento dessas vagas; e exerceu o magisterio na mesma escola, como substituto da aula  preparatoria do curso de artes e manufacturas até o anno corrente.

Fundou a sociedade União Beneficente Academica da escola central com seu collega José de Napoles TelIes de Menezes, e della foi presidente; é socio de outras, e tem collaborado om diversos periodicos litterarios.

Escreveu:

– Centro academico. Rio de Janeiro, 1872 – É um jornal semanal que fundou e redigiu, sendo ainda estudante, com o fim de congraçar e harmonisar em um centro commum de actividade e trabalho as duas escolas, central e de medicina, o que conseguiu depois de muito esforço, reunindo para isto e obtendo o apoio de doze estudantes de cada uma dellas; e ainda conseguiu congraçar, em torno do mesmo jornal, as escolas militar e de marinha. Esta empreza, entretanto, pouco tempo funccionou.

– A rescisão do contrato de 25 ele julho de 1874, discutida e documentada, Rio de Janeiro, 1879 – Esta obra escreveu o autor depois que deixou a commissão, de que foi encarregado, relativamente as obras do matadouro, e foi mandada publicar pelo governo,

– Trigonometria espherica de Dubois: traducção: Rio de Janeiro, 1872.

– A republica constitucional por Ed. Laboulaye: traducção. Rio· de Janeiro, 1872 – Foi publicada sob o pseudonymo de Horacio Mann.

– A instrucção publica superior no imperio: (série de artigos publicados no Globo, e depois colleccionados). Rio do Janeiro, 1875. 91 pags. in-8.º

– A Exposição nacional: artigos publicados na Gazeta de Noticias em dezembro de 1875, e janeiro de 1876.

– Lições ele algebra elemental. Rio de Janeiro, 1876.

– A idea de Deus por E. Littré: traducção. Rio de Janeiro, 1879.

– O decreto de 19 de abril de 1879: artigos publicados no Jornal do Commercio de 2 a 21 de maio de 1879.

– As faculdades livres: artigo publicado na Gazeta de Noticias em maio de 1879.

– Estatisticas moraes e applicação do calculo das probabilidades a este ramo de estatistica. Rio de Janeiro, 1880 – É  uma dissertação que o autor escreveu para o concurso as vagas da segunda secção do curso de engenharia civil, seguida de proposições sobre outros pontos.

– A engenharia e as obras publicas no Brazil: artigos publicados no jornal do Commercio de 25 de setembro a 15 de outubro do 1880,

– A escravidão dos negros: reflexões de Condorcet: traducção, Rio Janeiro, 1881 – Divide-se esta obra em duas partes, isto é: Considerações geraes, philosophicas; c considerações especiaes e praticas.

– A luz electrica, pelo systema de Edison applicada à illuminação pública, Rio de Janeiro, 1882 – É um relatorio e parecer que escreveu o Dr, Aarão, em commissão nomeada pelo director do club de engenharia com os Drs, José Americo dos Santos e João Raymundo Duarte.

 

[Augusto Victorino Alves Sacramento Blake, Diccionario Bibliografico Brazileiro, vol. 1]