D. SIMAÕ DA SYLVEIRA, filho dos primeiros Condes de Sortelha D. Luiz da Sylveira Guarda mór delRey D. Joaõ III. e Védor das obras do Reino, e de D. Brites Coutinho, filha de D. Fernando Coutinho Marichal do Reino. Casou com D. Guiomar Henriques, filha de Simaõ Freire, de quem teve diversos filhos, que acabaraõ gloriosamente na India. Foy muito inclinado á Poezia vulgar em que fez admiraveis progressos o seu agudo engenho naõ sendo menos versado no exercicio da Cavallaria. O talento que teve para a Poezia lhe louva Antonio Ferreira Poem. Lusit. Cart. 10. do liv. 2.

Clarissimo Luiz rayo Lumioso

Marte nas armas, Apolo entre as Musas

Mas por ti Simaõ inda mais ditoso.

Ao som da Lira de que tambem usas

Vay a verde hera entretecendo o louro,

Que já honrou Mantua, Esmyrna, e Siracusas

Em ti nos mostra Apollo o seu thesouro.

Compoz

Duas Elegias, huma ao bom Ladraõ, e outra á Magdalena. Lisboa por Marcos Borges 1567. 4.

Soneto em aplauso do Doutor Antonio Ferreira. Sahio nos seus Poem. Lusit. e he o 12. do livro 2.

Francisco de Sá e Miranda traz entre as suas obras glossada a seguinte obra de Simaõ da Sylveira.

Tu prefencia deseada

Zagala desconocida

Di porque la has escondida.

No Cancioneiro de Garcia de Resende impresso em Lisboa por Herman de Campos 1516. fol. estaõ a fol. 149. 152. 153. 145. 177. vers. 182. 184. 189. vers. Poezias de Simaõ da Sylveira.

No Cancioneiro de Pedro Ribeiro collegido no anno de 1577 se acha hum Soneto que começa

Cesse Señora yà tu dura mano, &c.

Livro de Cavallarias em 8. rima. Imitaçaõ de Orlando Furioso.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]