SIMAÕ DA FONSECA, natural da Cidade da Guarda, ou da Villa de Trancoso Abbade da Parochial Igreja de S. Joaõ do Sabugal em Ribacoa, Vigario Geral do Bispado de Lamego. Foy grande Letrado, insigne Genealogico, e elegante Poeta. Falleceo no anno de 1668. Compoz

Quinas libertadas. Poema Heroico que consta de 10 Cantos, cujo argumento he a gloriosa Aclamaçaõ do Serenissimo Dom Joaõ IV. Dedicado a D. Alvaro de Abranches e Camera, do Conselho de Estado de S. Magestade, e Guerra, seu Capitaõ General na Provincia da Beira. Começa.

A mais heroica acçaõ, que até qui visto

Tem quanto o Sol da Clyptica descobre

Desde o inchado Noto até Calisto

E desde onde se eleva aonde se encobre:

As Quinas libertadas, que deu Christo

Á Lusitania, com que a fez mais nobre

Canto, se a tanto chega meu engenho,

Que me possa livrar de tanto empenho.

O Original conserva na sua Livraria o eruditissimo Jozé Freire Monterroyo Mascarenhas, onde o vimos.

Genealogia dos Fonsecas. Esta obra conservava em seu poder Fr. Filippe de Gandara, como escreve no seu Nobiliario de Galiza liv. 3. cap. 26. §. 2. Da mesma obra se lembra Franckenau Bib. Hisp. Herald. p. 389.

Comentario ás Ordenaçoens do Reino de Portugal. fol. M. S. Para a impressaõ desta obra, como do Poema assima declarado, deixou novecentos mil reis que se divertiraõ em outro gasto.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]