D. LEONOR DE NORONHA, e naõ de Menezes como a apellidaõ Nicol. Ant. Bib. Hisp. Tom. 2. p. 343. col. 2. e o Padre Francisco da Fonseca Evora Gloriosa pag. 415. nasceo em a Cidade de Evora sendo filha de D. Fernando de Menezes II. Marquez de Villa-Real, Capitaõ, e Governador de Ceuta, Alcaide mor da Cidade de Leiria, Fronteiro mor do Algarve, e de D. Maria Freyre filha herdeira de Ioaõ Freyre de Andrade Senhor de Alcoutim, Aposentador mor da Casa Real, e de D. Leonor da Silva filha de Pedro Gonsalves Malafaya Vedor da Fazenda DelRey D. Ioaõ o I. Ao esclarecido tronco, de que procedia, coroou com as flores, e frutos de suas litterarias produçoens chegando a ser venerada por seu agudo engenho, natural eloquencia, e estudiosa aplicaçaõ huma das celebres Heroinas do Templo de Minerva. Teve por Mestre de Gramatica ao insigne André de Rezende compondo para ella, e seu irmaõ D. Pedro de Menezes Conde de Alcoutim a Arte que se imprimio em Lisboa no anno de 1540. Da escóla de taõ consumado varaõ sahio profundamente instruida no idioma Latino como era versada nas linguas Castelhana, e Italiana. Á comprehensaõ das sciencias unio a practica das virtudes de que era exemplar de todos os seus domesticos. Meditava com excessiva ternura de dia, e de noute os tormentos que o Redemptor do mundo padecera em satisfaçaõ da culpa do primeiro homem oferecendo as lagrimas que continuamente distillavaõ os seus olhos em retribuiçaõ do precioso sangue, que derramara o Verbo Divino. Para receber o Augustissimo Sacramento da Eucharistia se preparava com muitos actos religiosos anhelando fervorosamente que fosse a sua alma digna morada de taõ soberano Hospede. Regulava o abatimento da sua pessoa pela sublimidade da sua origem, desenganada de que toda a gloria do mundo era sombra aparente, e luz agonizante. Cumulada de merecimentos deixou a terra a 17. De Fevereiro de 1563. para se coroar no Impirio entre o Coro das Virgens. Jaz sepultada na Capella de JESUS do Convento de S. Domingos de Santarem, onde se lê sobre as suas cinzas o seguinte epitafio.

Aqui jaz D. Leonor de Noronha filha de D. Fernando de Menezes segundo Marquez de Villa-Real, e da Marqueza Dona Maria Freire, que falleceo sem cazar de idade de setenta, e sinco annos no de M.D.LXIII.

Celebraõ o seu nome com merecidos elogios diversos Authores como saõ Jorge Cardozo Agiol. Lusit. Tom. 1. pag. 454. ornada de singulares dotes da natureza, e graça. Nic. Ant. Bib. Hisp. Tom. 1. pag. 216. Col. 1. prudentiae, doctrinae, castitatis exemplo, eo que clarissimo inter studia litterarum perpetuo vixit. Duart. Nun. de Leaõ Descripc. De Portug. cap. 90. Escreveo de couzas esperituaes alguns livros a maneira de Homilias de grande devoçaõ, e de tanto espirito que quem as lè naõ pódem crer ser obras de mulher. Souza Hist. Gen. da Caz. Real Portug. Tom. 5. pag. 204. Senhora de excellentes virtudes, erudita nas humanas, e divinas letras, versada em diversas linguas. Theatr. Heroino Tom. 2. pag. 21. das sciencias naõ teve moderada luz, ou breve noticia porque se achaõ enrequecidas as suas obras de varia liçaõ de letras divinas, e humanas. Barbosa Mem. Polit. Milit. del-Rey D. Seb. Part. 2. liv. 7. cap. 15. a quem a piedade do animo, e estudo de humanas, e divinas letras augmentaraõ mais a nobreza do seu claro nascimento. Macedo Flor. Esp. cap. 8. excell. 11. Pacheco Vid. da Inf. D. Mar. Liv. 2. cap. 2. Fr. Luiz dos Anjos Jardim de Portug. Tit. 132. Fr. Franc. da Nat. Lenit. Da dor. Pag. 310. N. 308. Joan. Soar. De Brito Theatr. Lusit. Litt. Lit. L. n. 11. Traduzio da lingua Latina em a materna com o seguinte titulo.

Coronica Geral de Marco Antonio Cocio Sabelico des ho começo do mundo até o nosso tempo traslalado de latim em linguagem Portugueza. Derigido a muito alta, e muito poderosa Senhora Dona Catherina Raynha de Portugal molher do muito alto, e muito poderoso Senhor D. Joaõ terceiro Rey de Portugal deste nome.  Coimbra por Joaõ de Barreira, e Joaõ Alvares emprimidores del-Rey na mesma Universidade aos 25. dias do mez de Setembro de 1550. fol. Esta Traduçaõ tem pelo contexto muitas, e doutas annotaçoens da Tradutora e no fim.

Tratado da Historia de Job.

Segunda Parte da Coronica Geral de Marco Antonio Cocio Sabelico &c. Coimbra pelos ditos Impressores. Acabouse aos dez dias de Junho de 1553. fol.

Comesso da nossa Redempçaõ que se fez para consolaçaõ dos que naõ sabem Latim. Lisboa por Joaõ Barreira 1570. fol. He dedicado a Senhora Infanta Dona Maria filha del-Rey D. Manoel onde declara o Impressor ser Obra de Dona Leonor de Noronha pois no principio naõ tem o seu Nome. Contem desde a Conceiçaõ da Senhora athe o colloquio de Christo com a Samaritana.

Tres Meditaçoens da Payxaõ para se contemplarem no Triduo da Semana Santa com huma breve declaraçaõ do Pater Noster. Sahio impressa como escreve Cardozo Agiol. Lusit. Tom. 1. pag. 459. col. 15.

 

[Bibliotheca Lusitana, vol. III]